Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 15 Izeusse Braga Izeusse Braga é economista, pós graduado em Marketing, escritor e conferencista internacional. Foi secretário geral da Arpel e diretor comercial da Petrobras. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. DIVERSIDADE E INCLUSÃO, CONDICIONANTES ESSENCIAIS PARA A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA Construir o mundo pós-covid exigirá de todos nós vi- são, coragem, inovação, diversidade e senso de urgência para enfrentar mudanças de magnitude sem precedentes. As incertezas do caminho exigirão esforço coletivo cons- ciente, solidário e inclusivo, de forma a garantir um futuro sustentável para indivíduos, comunidades e organizações. Sabendo que este novo mundo não surgirá acidental- mente, oWorld Petroleum Council (WPC) e o Boston Con- sulting Group (BCG) publicaram em dezembro do ano pas- sado uma pesquisa que destaca a relevância de se criar as condições para atrair e reter novos talentos, incentivar a diversidade e a busca da equidade de gênero em nossa in- dústria, já que as mulheres representam apenas 22% de sua força de trabalho (resultado igual, aliás, ao de 2017) em um setor reconhecidamente conservador. Tal pesquisa, que considerou o universo de 50 empresas com receitas globais de US$ 2 trilhões, entrevistando mais de 50 executivos seniores e 2.800 profissionais do setor em 60 países, menciona as conclusões de um estudo da Catalyst, uma organização sem fins lucrativos, mostrando que empre- sas com mais mulheres em seus conselhos de administração superaram as com menos, em três métricas financeiras: retor- no sobre o patrimônio (53%maior); retorno sobre as vendas (42%maior) e retorno sobre o capital investido (66%maior). Um outro estudo, publicado pela consultora McKinsey, mostrou também que as empresas com desempenho no quartil superior em diversidade étnica e racial tiveram re- tornos financeiros 35% maiores, e aquelas com diversida- de de gênero no quartil superior tiveram 15% mais chan- ces de ter retornos acima da média do setor. Para se manterem competitivas, as organizações devem sempre inovar, e uma das melhores maneiras de aumentar a capacidade de transformarem a si mesmas e seus produ- tos pode envolver a contratação de mais mulheres e equi- pes culturalmente diversas. Na América Latina e no Caribe, de acordo com dados da Arpel, petróleo e gás representam 70% da matriz ener- gética regional, sendo um setor-chave em muitas econo- mias das duas regiões, tanto em termos de PIB quanto de fluxos de investimentos, geração de empregos, exporta- ções, receitas fiscais e desenvolvimento local. Assim, os desafios colocados pelas mudanças climáticas e a transição para sistemas energéticos e economias de baixo carbono implicarão mudanças profundas, para as quais serão necessários todos os talentos disponíveis, especialmente os que possam aportar a sensibilidade necessária ao desenvol- vimento de ações de cooperação, estabelecendo as condições para situações de “ganha-ganha”, para a exploração dos re- cursos finitos de nossa região e de nosso planeta. Boa parte desta sensibilidade já sabemos de onde pode vir. No Roteiro para Impulsionar a Contribuição da Indústria de Petróleo e Gás para os ODS, as empresas sócias da Arpel priorizaramsete ODS para o biênio 2021-22 (5, 7, 8, 9, 12, 13, 17), para os quais existe maior possibilidade de geração de impactos positivos, dentro de uma perspectiva de direitos hu- manos, transições justas e a materialidade da indústria. O principal objetivo deste Roteiro é estabelecer um conjunto de ações para promover a colaboração e con- tribuição para os ODS das empresas de petróleo e gás da América Latina e Caribe. Para o ODS #5 (Igualdade de Gê- nero), por exemplo, o objetivo é promover maior participa- ção feminina, principalmente em posições de liderança e funções operacionais, bem como a diversidade e a inclusão de outros grupos considerados vulneráveis. A Arpel, aliás, produziu um white paper sobre o assunto. Destacam-se, dentre as ações já em curso, a adesão aos WEP’s, a colaboração com o Projeto Untapped Reser- ves 2.0 comWPC/BCG, a organização de oficinas de cons- cientização e troca de conhecimento e a oferta de ferra- mentas e soluções para promover maior igualdade e inclu- são de gênero nas empresas. Para a mudança que esperamos, o esforço de cada um, agora, fará enorme diferença para o futuro que todos de- sejamos para nossa indústria.
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