Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 133 O respeitado Dicionário His- tórico-Biográfico Brasi- leiro da FGV CPDOC, no verbete temático sobre Furnas Centrais Elétricas, agora às vés- peras da privatização, diz que a em- presa foi criada no dia 28 de fevereiro de 1957 “para a construção de uma grande usina em Minas Gerais, desti- nada ao abastecimento energético da região Sudeste, representando a prin- cipal iniciativa do governo Juscelino Kubitschek (1956-1960) no campo da produção de eletricidade”. O texto segue dizendo que a cria- ção de Furnas, tendo como meta ini- cial a construção da primeira hidrelé- trica com mais de mil MW do país, no rio Grande (MG), “assinalou a entrada em cena do governo federal no mer- cado de energia da região mais desen- volvida do país”, o Sudeste, até então dominado por duas grandes empre- sas privadas, ambas de capital estran- geiro: a canadense Brazilian Traction, Light and Power e a norte-americana American & Foreign Power (Amforp). O verbete diz ainda que as du- as empresas dominantes não inves- tiam suficientemente na expansão da oferta de energia sob o argumen- to de que a política tarifária do Esta- do brasileiro exauria suas capacida- des de investimentos. Furnas nascia então com a missão de “implantar um sistema integrado de ge- ração e transmissão” de energia elétrica a partir do aproveitamento do potencial do rio Grande que, em grande parte do seu curso, serve de divisa entre Minas Gerais e São Paulo. Os estudos básicos foram da mineira Cemig. Ao completar 65 anos, Furnas, assim como as demais geradoras do Sistema Eletrobras – exceto Eletronuclear e Itai- pu-, holding criada em 1962 para inte- grar os ativos federais no setor elétrico, opera com o sinal inverso da transferên- cia ao setor privado, uma operação que o governo federal promete concretizar ainda neste semestre. O que mudou nessas seis décadas e meia que justifique a saída do Estado dessa empresa emblemática que cres- ceu ao longo de todo o período, ten- do hoje participações integrais ou par- ciais em 24 usinas, sendo 21 hidrelétri- cas, duas termelétricas e uma eólica, to- talizando 18,26,46 GW, além de 35 mil km de linhas de transmissão que cum- priram o papel de ser o embrião do SIN como conhecemos hoje? A Brasil Energia procurou especialis- tas do setor em busca de uma resposta e constatou que ela não é trivial. Embora a decisão de privatizar já esteja tomada, com autorização do Congresso Nacional (Lei nº 14.182), há argumentos sólidos de ambos os lados, formulados por ana- listas igualmente preparados. Destravou a industrialização A engenheira Clarice Ferraz, profes- sora da Escola de Química da UFRJ e di- retora do Instituto Ilumina, diz não ha- ver “nada de ideologia” na definição

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