Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
134 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 EMPRESAS do papel do Estado como investidor prioritário no setor elétrico. “Esse per- fil de investimento em infraestrutura e inovação é de altíssimo risco. É papel do Estado correr esse risco, proporcio- nar o investimento e fornecer a energia de que a sociedade precisa”, afirmou. Ferraz argumenta que o setor elé- trico, “por si só”, não faz sentido, devendo funcionar bem para que tu- do mais funcione bem. “Ele faz parte de um projeto de desenvolvimento”, sendo seu papel histórico proporcio- nar interligação e acesso à energia barata que dê sustentação aos pro- jetos de desenvolvimento. De acordo com a especialista, o caso de Furnas é emblemático para o Brasil, tendo, inclusive, propiciado a criação da Eletrobras, um projeto antigo do gover- no Getúlio Vargas (1930-1945). “Não há, ao longo da história do Brasil e de outros países, exemplo dis- tinto: é por meio das iniciativas es- tatais que se consolidam os setores elétricos. E Furnas é mais espetacular ainda porque foi a origem do nosso sistema interligado”, destacou. A interligação com despacho cen- tralizado, segundo Ferraz, proporcio- nou um ganho calculado pelos enge- nheiros em cerca de 20% da capa- cidade instalada. Ela teme que isso venha a se perder na lógica de mer- cado. Um dos caminhos, por exem- plo, seria a instituição do despacho por oferta de preço, ainda que manti- da a centralização, dando ao gerador maior poder diante do ONS. A professora admite que o regime de cotas, que passou a vender a energia de parte das usinas de Furnas e de ou- tras empresas do grupo Eletrobras pe- lo preço de custo (custos de operação e manutenção), foi implantado “de for- ma açodada”, embora com boa inten- ção, deixando as empresas em situação difícil para investir. “Mas não é preciso privatizar para descotizar”, argumen- ta, ressalvando que a descotização é in- constitucional e vai acabar no STF. Ganho de eficiência O engenheiro Paulo Cézar Tavares, presidente da comercializadora SOLe- nergias, ex-diretor da CPFL e ex-presi- dente da distribuidora pernambucana Celpe, antes e depois da privatização ocorrida em abril de 2000, afirma não Clarice Ferraz, do Instituto Ilumina: setor elétrico, “por si só”, não faz sentido Paulo Cunha, consultor da FGV Energia: holding estatal detém uma elevada participação no mercado
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