Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 17 gás natural renovável a partir da biodigestão da vinhaça da produção sucroalcooleira. Ainda com mais dois braços operacionais, a ERB, da área de cogeração a biomassa, e a CDGN, com soluções de logística e comer- cialização de gás natural, a holding tem aí também a vantagem de aproveitar a sinergia dessas outras soluções que, cada uma a seu tempo e espaço, contribuem para atender a demanda de transição energética dos clien- tes. Para contar os planos do grupo, que em 2021 teve receita próxima de R$ 500 milhões, a Brasil Energia entrevistou a presidente da MDC, Manuela Kayath. Como está o projeto para produzir biometa- no no aterro de Caieiras, em São Paulo? Está no cronograma acertado com a Solví, proprietária do aterro, que por sinal é um dos maiores da América Latina [recebe em média 8 mil t por dia de lixo de São Paulo e região]. A unidade vai começar a operar no segundo semestre de 2023. Está na fase de licencia- mento ambiental e de detalhamento tecnoló- gico e vai ser a terceira planta de biometano a partir de biogás de aterro da Ecometano, depois do GNR Dois Arcos, que gera 15 mil m³/dia e do GNR Fortaleza, de 100 mil m³/ dia. Devemos começar a implantação dentro de três meses. Quanto vai gerar de biometano e qual vai ser a estratégia de comercialização? Vai ser uma planta de início para 60 mil m³ por dia. Mas em uma segunda fase a previsão é dobrar a planta de tamanho, já que o ater- ro é muito grande e tem excedente de biogás, mesmo já tendo uma usina térmica a biogás em operação [UTE Termoverde Caieiras, da Solví, de 29,5 MW]. Quanto à comercializa- ção, o biometano será injetado no gasoduto da Comgás, a cerca de 3 km do local. Será a mesma estratégia da GNR Fortaleza, onde in- jetamos os 100 mil m³ no gasoduto da Cegás. Mandar para o gasoduto é a forma mais efi- ciente de recuperar o investimento. Mas a venda será para o mercado cativo, para a Comgás, ou no mercado livre, para gran- des indústrias? Isso ainda não está definido. Existe a pos- sibilidade de a própria Comgás comprar es- se gás, como ocorre no Ceará. Mas em São Paulo o mercado livre de gás já tem regula- mentação aprovada e podemos vender para terceiros conectados à rede da distribuido- ra. Inclusive já há muitos interessados. Re- cebemos contatos de pelo menos quatro grandes empresas, que querem comprar to- da a produção inicial. O cenário do projeto em Caieiras difere muito dos dois primeiros investimentos? Sim, o primeiro, na GNR Dois Arcos, teve o mérito do pioneirismo, mas o seu mode- lo não é replicável, por ser muito pequeno com venda do gás por caminhões para pos- tos de combustível. Já no Ceará a diferença principal, em comparação com Caieiras, é que o biometano na época, em 2017, não foi vendido como produto premium reno- vável. A ideia ali foi tentar levar um gás produzido onde a rede de gasoduto não chegava [a unidade demandou interligação de duto de 26 km], usando a abundância de biomassa do Brasil. Não era por conta

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