Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

18 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 ENTREVISTA MANUELA KAYATH dessa agenda sustentável que existe atual- mente. Mas lá o impacto do investimento acabou sendo muito grande. A Cegás hoje deve ter a rede de gás mais limpa do mun- do, já que os 100 mil m³ por dia represen- tam 20% do consumo total do estado de 500 mil m³. Isso sem falar que o biometa- no não sofre com a volatilidade de preço como o gás natural e é reajustado apenas pela inflação. Há outros investimentos em vista para além do biometano de aterro? Sim, estamos estudando o processo de biodigestão há pelo menos dez anos em usina de etanol para produzir biometano a partir da vinhaça. Temos um projeto em estruturação em usina de Minas Gerais, para gerar 30 mil m³/dia de biometano a partir de 2024. A partir daí a ideia é repli- car para outros projetos. Também está no planejamento mapear o desenvolvimen- to de mais um projeto de cogeração de energia a biomassa de eucalipto, que se- ria mais ou menos no mesmo tamanho da usina que temos na Bahia, a ERB Aratinga, que produz 150 t/h de vapor para a Dow Química e tem 16,8 MW de energia inje- tada no grid [há outra em operação em Minas Gerais, de cogeração a biomassa de cana, de 41 MW, a Usina Santa Vitória]. Além disso, temos planos de crescimento no mercado de gás natural, com a CDGN, em soluções small scale de comercializa- ção e logística de distribuição de GNC e GNL, já que o gás fóssil vai continuar a ser forte por muitas décadas como combustí- vel de transição. As unidades de biometano da Ecometano são certificadas no Renovabio para negociar os créditos de descarbonização, os Cbios? Sim, as duas, sendo que a do Ceará tem mais relevância por causa do seu porte. In- clusive a GNR Fortaleza tem a maior nota de eficiência energética ambiental do pro- grama. No ano passado, 15% da receita da operação cearense foi da venda de Cbios e de créditos de carbono por meio do Me- canismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Escrituramos 75 mil Cbios em 2021, o que gerou cerca de 3 milhões de reais, e nego- ciamos duas vendas de créditos de carbo- no para um intermediário na Suíça, o que gerou mais 7 milhões de reais. Neste ano, a previsão é de escriturar mais 80 mil Cbios. Já em créditos de carbono resolvemos es- perar um pouco para ver como vai ficar a nova forma de comercialização do merca- do regulado que deve ser criado por conta da COP 26. A ideia é fazer o mesmo em Caieiras? Sem dúvida. E no caso na nova unida- de já deve ser possível também negociar o Gás-REC, certificado de rastreabilidade dos atributos ambientais do gás renová- vel que está em elaboração pelo Instituto Totum e por grupo de trabalho que faze- mos parte. Ele funcionará como os I-RECs atualmente negociados para empresas que querem comprar certificados de ener- gia renovável para abater de seus consu- mos de fósseis. Queremos ser os primei- ros emitentes dos certificados em todas as unidades de biometano. n

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