Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

30 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 DISTRIBUIÇÃO Risco real e crescente Dados da Aneel mostram que o Bra- sil fechou 2021 com mais de 9,4W de capacidade em geração distribuída em 853 mil unidades prossumidoras. Em um ano, foram mais de 3,9 GW de no- va capacidade e 404 mil novas cone- xões feitas na rede de baixa tensão, um crescimento de 81% comparado com 2020, quando foram conectados 223 mil sistemas. O impacto disso é brutal. Uma conta simples conclui que são mais de mil sistemas GD instalados por dia no país. E algumas projeções in- dicam que as novas instalações GD vão dobrar de novo em 2022. Signi- fica dizer que as distribuidoras têm que avaliar solicitações de novas co- nexões de sistemas geradores a to- do momento para uma rede que ain- da é, em grande parte, analógica e desenhada para fornecer energia no sistema unidirecional. O produto oferecido por Felber na ePowerBay permite uma visão da si- tuação no solo. Codificada por cores, é possível ver a qualidade e a capaci- dade das redes das distribuidoras, en- quanto barramentos, pontos de aces- so e subestações podem ser identifi- cados rapidamente, tudo cruzado com os recursos solares. O que se nota é uma saturação de acesso em locais com os melhores potenciais de gera- ção fotovoltaica. “O resultado é uma limitação na instalação de novos siste- mas abaixo do potencial, ou a escolha de locais com recursos não tão bons por causa da conexão”, avalia. Oscar Solano Rueda, coordenador do recém-inaugurado laboratório de re- des inteligentes do Cepel, da Eletrobras, concorda: o país precisa modernizar sua infraestrutura elétrica para aproveitar melhor os DERs, quase todos intermi- tentes e disruptivos. “Gerar próximo da carga é totalmente diferente. A nossa pesquisa busca ver como podemos me- lhorar a inserção do REDs sem ocasionar problemas para a rede”. Para ele, o Brasil começará a limitar a inserção de REDs ou terá problemas de qualidade de suprimento se não ti- ver sistemas de controle, monitora- mento e comunicação e medição inte- ligente. Além disso, o país precisa co- meçar a pensar na disrupção que será trazida pelo armazenamento e atuali- zar as normas de equipamentos como inversores do Inmetro, que têm mais de uma década. Mas o trabalho de Rueda está apenas no início e, em abril, devem começar os primeiros dois projetos de pesquisa que sua equipe de sete pessoas está preparando. Os proje- tos testarão, em condições reais, a inserção de REDs com equipamen- tos, testes e mecanismos como Har- dware in the Loop, que simula situ- ações reais para testar equipamen- tos e sistemas complexos. De acordo com Nelson Stanisci, ge- rente de soluções de Digital Power da Huawei, o Brasil está no caminho certo

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