Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

32 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 DISTRIBUIÇÃO apostando em GD e em uma rede mais moderna, mas um dos gargalos aconte- ce na hora de adequar os equipamentos para o mercado nacional. “O mercado brasileiro está aguardando a atualização da portaria 004 do Inmetro de 2011. Ela já está defasada”. Sem falar em números, ele diz que o interesse pelo sistema de geração fotovoltaica da Huawei, que prevê a instalação de sistemas de baterias, está forte e a empresa registra de- manda apenas para sistemas de ba- terias por empresas que visam me- lhorar a qualidade de fornecimento de energia para melhor planejar seu consumo energético e aproveitar as tarifas horárias. Mas ele alerta que, uma vez que o país começar a implementar sistemas de armazenamento, um nível maior de digitalização das redes se faz necessá- rio para os sistemas de baterias po- derem oferecer serviços ancilares que ajudariam na qualidade e estabilidade do fornecimento principalmente em horário de pico. Pressão pela regulamentação Enquanto a pesquisa e os fornece- dores atendem em parte o ímpeto por modernização, a pressão também se volta ao governo que precisa rever a regulamentação, para incluir a atua- lização tecnológica e permitir novos modelos de negócios, aproveitando tanto a abertura para o mercado livre quanto a tarifa horária. Desde a fracassada tentativa da Ta- rifa Branca de 2018 – que não avan- çou em parte porque poucos consu- midores têm medidores inteligentes –, só no último ano e meio é que a Aneel começou a avançar na modernização tarifária e regulatória. Em 2021, permitiu sandboxes tarifá- rios para testar em situações reais a ta- rifa binomial, considerada essencial pa- ra dar o sinal econômico para controle da demanda em ambientes de tarifação horária, e tem feito a tomada de subsí- dios, com vasto interesse dos agentes, ano passado e este ano, para regula- mentar sistemas de armazenamento e a inserção de GD, a resposta de demanda e as microrredes. Para Boccuzzi, o argumento principal é financeiro. Ele calcula que a soma de todos os resgates aprovados para o se- tor nas últimas duas décadas e meia so- maram mais de R$400 bilhões, incluin- do os R$15 bilhões da Conta Covid – ou seja, o suficiente para implantar as re- des digitais em todo o território nacio- nal três vezes. “O governo começou a acordar e a ficha começa a cair para estruturar uma política pública para redes inteligentes. A rápida inserção dos recursos REDs já criaram ‘pequenas Califórnias’ no inte- rior São Paulo e Minas Gerais, e se não investirmos em redes digitais e sistemas modernos, vamos continuar dando res- gates bilionários para o setor, indo de encontro com a ideia de modicidade ta- rifária”, diz Boccuzzi. n

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