Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 33 Victor Venâncio Victor Venâncio, engenheiro de Produção / Mecatrônico com M.Sc e MBA pela FGV e ESADE Business School, é Head de Transformação Digital LatAm da IHM Stefanini. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. ALINHAMENTO ESTRATÉGICO PARA A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL Sabemos que o tema transformação digital está na agenda de todo C-Level e de diretores de organizações dos mais diversos elos da cadeia de valor do setor de energia, mas, infelizmente, nem sempre é devidamente compreendida e executada. Diferentemente do que muitos pensam, a transformação digital não se trata somente da adoçãomassiva de tecnologia. Para uma execução exitosa da jornada de transformação digi- tal, há de se trabalhar simultaneamente seus três pilares fun- damentais:Tecnologia, Processos e Cultura. As tecnologias aplicadas podem ser convencionais, emer- gentes da indústria 4.0 (IoT/IioT, drones, RV/RA, blockchain, etc) ou disruptivas (quantum computing, metaverso etc.). Os processos precisam estar ajustados a um modelo de fluxo de valor que permita sua otimização, gerencian- do restrições e reduzindo desperdícios. Metodologias lean manufacturing para os ativos industriais e lean office para o corporativo, por exemplo, ajudam a preparar a empresa para a automação massiva. A cultura organizacional precisa estar adaptada para um ambiente de hiperautomação e inovação aberta. To- dos precisam ter mentalidade adequada à uma nova rea- lidade de negócios. A estrutura organizacional também influencia na agilida- de da execução. Empresas do setor de energia e de óleo & gás cresceram durante o período da terceira revolução indus- trial. Tipicamente, aquela era produziu estruturas organizacio- nais mecanicistas, com elevada distância de poder e muita burocracia, que acabaram por gerar silos organizacionais. Tal situação retarda a execução da transformação digital. Estru- turas organizacionais orgânicas (holacracia) representam um modelo mais adequado para agilizar as jornadas de transfor- mação digital.Ajustar a estrutura organizacional, a cultura, os processos, e aplicar novas tecnologias é complexo e requer ali- nhamento estratégico. As empresas do setor de energia e de óleo & gás possuem três dimensões organizacionais:Back office (ativos industriais), Middle office (corporativo) e Front office (comercial,marketing, etc), normalmente atuando semum fluxo de dados entre elas. O primeiro passo na jornada de transformação digital é prover um fluxo de dados entre estas três dimensões organi- zacionais, através da convergência dos sistemas OT (Operatio- nal Technologies) e IT (InformationTechnologies). Estes dados, devidamente processados por algoritmos de data analytics e inteligência artificial, poderão prover informa- ções valiosas para a tomada de decisões estratégicas por par- te dos C-Levels e conselheiros e decisões operacionais por par- te dos gestores industriais, corporativos e comerciais.Ouso es- tratégico dos dados possibilita extrair mais valor dos ativos e dos sistemas já existentes na empresa. A transformação digital acontece quando, de forma or- questrada e simultaneamente, adotamos tecnologias (con- vencionais, emergentes da indústria 4.0 ou disruptivas), oti- mizamos os processos e adaptamos a cultura organizacional, possibilitando à empresa gerar novas fontes de receita e/ou criar novos modelos de negócios que conduzam à geração de vantagens competitivas sustentáveis. Entretanto, a pressão por resultados faz com que a exe- cução da transformação digital não seja uma prioridade na estratégia corporativa. A dificuldade em comprovar ROI e a ausência de especialistas dedicados ao tema nos conselhos acabam retardando as iniciativas estratégicas rumo à trans- formação digital. Para superar esta barreira, a estratégia corporativa deve ter um capítulo dedicado à transformação digital, incluindo as três dimensões organizacionais, atuando-se nos três pilares fundamentais. Estratégias são criadas, adaptadas e aprimoradas pelo conselho de administração e os C-Levels, daí a pergunta: seu conselho possui um especialista em transformação digital? Caso sua empresa ainda não tenha umespecialista com visão holística e estratégica sobre o tema, seja no conselho de admi- nistração ou no conselho consultivo, este é o momento ideal para pensar neste assunto.
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