Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 49 va disso é que a empresa tentou comprar, há al- guns anos, um dos PPAs (Power Purchase Agre- ement) antigos que pertenciam à Bolognesi, do leilão realizado em 2014. Um dos PPAs virou o Gás Natural Açu (GNA), no Porto do Açu (RJ), e o outro está no Rio Grande do Sul. Naquela época, tentamos comprar o PPA para entrar no mercado. Houve, entretanto, uma decisão das agências reguladoras de não permitir a transfe- rência dos contratos regulados. Então, após a frustração inicial, surgiu a oportunidade de a NFE adquirir a Hygo e uma parte de GNL da Go- lar Power. Em suma, enxergamos o Brasil, no fu- turo imediato e de longo prazo, como uma ver- dadeira máquina de crescimento. A crise hídrica de 2020/21 foi positiva para a geração térmica. Como a NFE avalia esse pe- ríodo e qual a perspectiva da empresa para os próximos anos? De um lado, foi muito bom para os gerado- res termelétricos e vendedores de gás natural. De outro, criou enormes dificuldades para os supri- dores domésticos, principalmente a Petrobras. Com a relocação de tanto volume de gás para geração térmica, criou-se uma situação de fal- ta de molécula para o restante do mercado. Na Chamada Pública Coordenada (CP22), que reu- niu as distribuidoras do Centro-Sul, algumas de- las ficaram sem quantidade suficiente para aten- der a demanda existente. Por isso, acreditamos que o Terminal Gás Sul (TGS) será tão útil ainda em 2022, no segundo semestre, e em 2023. A projeção para o biênio 2022-23 é ainda de um mercado apertado no Brasil e no mundo. A New Fortress tem contratos de fornecimento de gás por meio de sua base em Barcarena (PA), fazendo do terminal de GNL o principal ponto de entrada do gás pelo Norte do país. Como a NFE avalia a região, do ponto de vista estratégico? Pra mim, o projeto de Barcarena é, talvez, o mais interessante que temos no Brasil. Trata- -se de uma opinião pessoal, não é uma posi- ção oficial. É fácil entender as razões: estamos falando da região amazônica, um dos pul- mões do planeta. Justamente nesse pulmão ainda persiste a geração de energia a óleo diesel. Precisamos descarbonizar essa região. Avalio que Barcarena é uma porta de entrada para a região Norte. Onosso terminal terá uma ca- pacidade de processamento de GNL muito maior do que os volumes contratados por nossos clien- tes. Já estamos em negociações bem avançadas, inclusive, para levar o GNL rio acima a fimde aten- der a demanda industrial e de transporte rodovi- ário do estado do Amazonas. A possibilidade de ter grande parte da infraestrutura custeada pelos contratos comerciais existentes nos permite até pensar, em termos de compromisso social, em co- mo vamos custear a molécula na região. Quere- mos colocar uma molécula na bacia amazônica que permita viabilizar economicamente várias in- dústrias. Ali será o maior mercado de small sca- le do Brasil, o que exigirá vultosos investimentos em infraestrutura de ativos (carretas, ISO contêi- neres, módulos de regaseificação etc.). Somado a isso, já temos contratos firmados com distribuido- ras locais, como a Gás do Pará, para fornecimento de GNL através do small scale. Resumindo, o ter- minal será a porta de entrada para começarmos a descarbonização da Amazônia em grande escala. Quais são os principais desafios que a compa- nhia enxerga na implantação de projetos de small scale num território continental como o Brasil? Não é surpresa que temos desafios relacio- nados à infraestrutura no Brasil. Recentemente,
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