Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

50 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 ENTREVISTA JEREMY DAWSON implantamos um projeto de small scale em Pe- trolina (PE), em parceria com a Copergás, onde criamos uma rede local de distribuição de gás através do transporte de GNL – armazenado em ISO contêineres – em carretas. É o típico proje- to que precisa crescer para expandir a oferta da molécula em regiões que possuem carência de abastecimento. Isso está no DNA da NFE. Natu- ralmente, os projetos small scale trazem algu- mas limitações, como volume e distância. Dependendo da distância, mais carretas, contêineres e motoristas serão exigidos. Dian- te disso, há um aspecto de responsabilidade social envolvido, já que não podemos colocar tantas carretas nas rodovias a ponto de inviabi- lizá-las, sob o risco de prejudicar o fluxo comer- cial. Esses fatores vão encarecendo a molécula. Então, os projetos precisam ser bem dimensio- nados. Quando começa a ultrapassar determi- nado volume, a partir de 300 mil m³/dia, co- meça a ficar complicado se não houver em- prego do transporte por cabotagem. Em novembro de 2021, a New Fortress foi autorizada pela ANP a construir o Terminal Gás Sul, na Baía de Babitonga (SC). Como está a construção do terminal? Vai dar tempo de ini- ciar o fornecimento de GNL para termelétricas vencedoras do leilão emergencial, realizado em outubro, em tempo hábil? Estamos confiantes no projeto Terminal Gás Sul, principalmente em relação aos marcos regula- tórios que estão vencendo dentro dos prazos ori- ginais. A última previsão, de dezembro de 2021, é que o TGS ficará pronto no segundo trimestre de 2022. Então, iniciaremos o fornecimento para os nossos clientes ali estabelecidos. Sobre os projetos do leilão emergencial, não somos sócios, mas ape- nas fornecedores, o que nos confere a obrigação de concluir o TGS dentro do prazo. As obras do gasoduto Itapoá-Garuva, que interligará o Terminal Gás Sul à malha de trans- porte da TBG, já foram iniciadas? Sim. E como a obra foi iniciada nos dois la- dos, o gasoduto se encontrará no meio. A ne- gociação que fizemos com a TBG foi tranquila e produtiva. O mais importante para os dois lados nesse processo foi agilizar ao máximo o forneci- mento de molécula para aquela região, que ca- rece de maior volume para abastecimento, dada a redução de importação de gás da Bolívia e a maior demanda provocada pela crise hidrológi- ca. Diante disso, as distribuidoras e as grandes indústrias ficaram em uma situação difícil. Com a TBG, pensamos em como fazer isso mais rápi- do possível. Chegamos a um consenso de que o mais rápido seria a NFE construir o gasoduto e depois repassá-lo para a TBG. O último trecho, pequeno, que toca com o Gasbol, será feito pe- la própria transportadora. A New Fortress também submeteu um pro- jeto de construção de um terminal de GNL no Porto de Suape (PE). Em outubro, no entanto, o processo seletivo foi suspenso. Desde lá, hou- ve algum avanço com Suape? É um projeto que estamos olhando com muito interesse. Acreditamos que aquela re- gião se beneficiaria muito de um terminal de GNL ligado à malha da TAG, já que aumenta- ria a disponibilidade da oferta de gás a pre- ços mais acessíveis. É preciso lembrar também que aquela região possui elevada taxa de ge- ração de energia eólica, o que requer energia firme para equilibrar a intermitência.

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