Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 51 Outro aspecto é que ainda há, naquela região, termelétricas movidas a óleo diesel. Então, assim como existe o projeto que implantamos com a Copergás em Petrolina, há centenas de comuni- dades que gostariam de ter a mesma coisa. Se ti- ver um terminal ali, com a molécula estacionada no Porto de Suape, o custo do processo de small scale iria baratear muito, já que a distância en- tre a fonte de suprimento e a demanda seria en- curtada. Traria benefícios enormes à região. Ca- be a nós esperarmos para ver como o processo licitatório vai se desenrolar. A NFE está pronta pa- ra participar, inclusive com embarcações para re- gaseificar o GNL. É um dos grandes projetos da companhia no Brasil. A usina de Porto do Sergipe foi uma das pri- meiras na retomada da nova termeletricidade a gás natural. Quais são os planos da empre- sa para esse segmento? Quais são as térmicas prioritárias para a NFE? Nós adquirimos dois contratos do mercado re- gulado (UTE Camaçari Muricy II e UTE Pecém II) que totalizam 288 MW. Desde maio de 2021 es- tamos no processo regulatório para alterar as ca- racterísticas técnicas desses contratos e transferi- -los para perto da região do Porto de Suape, a fim de ajudar a criar demanda para o terminal que o porto pretende instalar. O processo ainda está em andamento, próximo de ser concluído, acredito. Esse é um dos projetos prioritários da NFE no que se refere às térmicas. Obviamente, é um projeto menor. O interessante, contudo, é que, além de estarmos reivindicando a troca do combustível – de diesel para gás natural – junto aos reguladores, vamos reduzir voluntariamente o CVU (Custo Variável Unitário) para colocar os PPAs numa condição favorável para serem des- pachados por mérito num futuro próximo. Ao fi- nal, o consumidor terá o benefício na redução do custo da energia. Nesse momento, estamos es- perando a palavra final do regulador. Ainda em relação ao Porto de Sergipe, a NFE está conversando com a ANEEL e o ONS sobre o adiamento da geração, que terá de ser feito de forma antecipada por conta do com- bustível. Você poderia explicar como funciona a questão do despacho antecipado? Por vezes, torna-se necessário antecipar ou atrasar o despacho. Nesse caso, nós precisáva- mos testar os equipamentos. Era uma época bem interessante para o ONS ter acesso a energia naquela região. Afinal, não faz tanto tempo que estávamos à beira do apagão. Foi uma negocia- ção que funcionou para os dois lados, acredito. Agora, já estamos despachando na base. Fomos chamados por um bom tempo pelo ONS. Nesse momento, o operador pediu para parar de des- pachar. Estamos prontos para a próxima ordem. Mas é possível reter o gás, mantê-lo arma- zenado? Sim, claro. Cada navio é um pouco diferente. No caso, o FSRU Golar Nanook é um navio de alto teor tecnológico. Assim, conseguimos capturar is- so e utilizar. Temos todo um gerenciamento de es- toque, que envolve o supridor doGNL, nesse caso. Uma mudança recente em curso no setor de energia é o modelo de contratação, rumo à formação de um mercado de capacidade. O que essa possibilidade pode significar em ter- mos de negócios e receitas? Enxergamos os investimentos em geração como necessários à criação da demanda de
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