Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
52 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 ENTREVISTA JEREMY DAWSON infraestruturas (transporte e regaseificação) e da própria molécula. Temos ativos de ge- ração no Brasil, Jamaica, México e Nicará- gua. Mas se tivermos a oportunidade de ter outros investindo na geração térmica, talvez tenhamos investidores que tenham mais o DNA desse mercado específico. Os nossos in- vestimentos em geração serão na cadeia in- teira – molécula, terminal, talvez o gasoduto ou caminhões, e a térmica. O nosso foco é viabilizar o consumo do gás. Com a abertura do mercado de gás, a em- presa avalia fornecer o insumo a outras terme- létricas? A empresa está estudando, por exem- plo, produtos e contratos específicos de gás para o mercado de termeletricidade? Sim, estamos. Nós vemos a geração como um “possibilitador”, por assim dizer, da ca- deia de gás natural. Nos leilões, já cotamos o fornecimento de gás por gasoduto e small scale para outras térmicas e empresas, pois achamos muito importante expandir a matriz. A abertura do mercado é, obviamente, um dos motivos que nos fazem acreditar a lon- go prazo no Brasil. Isso vai possibilitar a entra- da de agentes privados, que vão aumentar a concorrência, reduzir preços, forçar a aplica- ção de capital mais eficiente no mercado e, ao final, quem vai ganhar é o consumidor final. Então, a comercialização de gás entre térmicas é algo que não é difícil de acon- tecer, certo? Correto. Já colocamos algumas estrutu- ras de contrato de suprimento de gás bem criativas para alguns projetos que busca- vam viabilizar a construção de térmicas. Projetos como, por exemplo, para capturar a margem mais no terminal e permitir qua- se uma opção de chamada de GNL, sem aquele take or pay enorme que é comum aos contratos. Nós podemos precificar o acesso ao terminal com chamada de GNL à vontade por parte da térmica. Então, is- so ajuda a resolver parte do problema de quando o ONS precisa despachar a usina com 90 dias de aviso. Isso permite à usina fazer a chamada do GNL só pensando no tempo de transporte da molécula. Dito is- to, estamos trabalhando para diversificar a oferta de GNL no mercado. Como a New Fortress enxerga as oportu- nidades relacionadas ao mercado de H2 no Brasil? Estamos olhando algumas possibilidades. No Brasil, o mais interessante é, obviamen- te, o hidrogênio verde, que nos parece um ótimo mercado devido a alguns fatores: em algumas épocas do ano, temos energia re- novável abundante e barata, o maior vetor para impulsionar o H2 verde; em algumas localidades da região Norte, por exemplo, há abundância de energia barata em de- terminadas épocas do ano, o que facilita a inserção do H2 verde em processos indus- triais onde a energia possui um percentual elevado no custo final. Além disso, temos grandes redes industriais no país. Há gran- des demandas e oferta de energia renovável barata e abundante, em certos períodos, o que torna o H2 uma grande oportunidade para negócios. Estamos conduzindo conver- sas preliminares para implantar projetos de H2 verde com grupos industriais. n
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=