Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 7 T razer novas narrativas da indústria para a sociedade, buscando ampliar o diálogo e mostrar que não há vilões. Essa é uma das prioridades da execu- tiva. No cargo desde fevereiro, Fernanda enxer- ga a transição energética como um dos princi- pais temas de sua agenda, além de considerar que a aproximação e o diálogo são importantes. “É uma pauta necessária, que ficou dormente. Já era para ter sido trabalhada há algum tempo de uma forma mais incisiva”, afirma. Em entrevista à Brasil Energia , Fernanda analisa os efeitos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, os rumos do setor de óleo e gás, a transição energética, sua agenda em ano de eleição presidencial e fala sobre a Rio Oil & Gas. Como você enxerga o impacto da guerra so- bre o setor de petróleo e a transição energéti- ca? O cenário reforçou a importância de se tra- balhar a questão da segurança energética com mais atenção? Essa crise é um corolário de uma série de coisas que já vinham dando sinais há algum tempo no mercado. Desde o fim do ano pas- sado vínhamos com uma espécie de ramp up de preços e estreitamento do mercado, com desbalanceamento de oferta e demanda. A guerra só acelera tendências de mercado que já estavam aí. É sabido que a segurança ener- gética é tão importante quanto a transição energética – esse discurso só foi acentuado por causa da guerra. Todo mundo sabe que não dá para confiar na Rússia como um gran- de provedor de qualquer coisa. A guerra só acentua paradigmas que já eram sabidos, mas é importante porque abre flancos para discus- sões muito mais francas, para narrativas com- plexas, que passam a ser colocadas de uma forma muito mais clara, como a questão da segurança energética. Agora, há um shift na narrativa e a transição energética passa a ca- minhar pari passu com segurança energética. Tanto importante quanto, sem descasamento… Tão importante quanto. Não há um des- casamento mais. Não há uma dicotomia: ou transição ou segurança. São duas coisas co- adunadas e, para isso, você precisa da indús- tria do óleo e gás, tanto que, desde o final do ano passado, já tinham algumas econo- mias voltando para térmicas a carvão, religan- do térmicas a gás. Estava na COP 26, no fi- nal do ano, na Escócia tinha racionamento de gás e no Airbnb que eu estava tinha aque- cimento somente durante uma hora por dia porque havia restrição de abastecimento. Já era uma sinalização de restrição entre oferta e demanda no mercado. Já eram sinais de des- casamento de um dos fundamentos de mer- cado, e a guerra acentua isso. É claro que is- so é muito importante dentro da indústria de óleo e gás porque toda a infraestrutura basilar que se tem hoje no mercado energético está atrelada à indústria de óleo e gás. Os inves- timentos em energéticos renováveis não vie- ram a tempo, não supriram a tempo o volume necessário para a demanda energética, e você passa a prescindir desse óleo e desse gás. En- tão, a melhor lição que a gente tira é que não se pode deixar a questão da segurança ener- gética em segundo lugar.

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