Brasil Energia | Ed. 475 - Junho, 2022

Brasil Energia , nº 475, 15 de junho de 2022 19 Faria explica que a razão do investi- mento em nobreaks, estabilizadores e geradores servem, como é de se prever, para limitar perdas financeiras nos pro- cessos produtivos causados por minutos e, em alguns casos, segundos de inter- rupções no suprimento de energia. “O consumidor A2 [a faixa mais bai- xa da alta tensão] reclama menos, mas todos sofrem com oscilação na tensão e distorções harmônicas. Esta é a realidade do consumidor industrial”, lembra Faria. Para ele, como as redes de média e alta tensão já estão quase 100% di- gitalizadas, seria possível exigir níveis de qualidade diferenciados como, por exemplo, começar a medir o FEC em se- gundos e não ter que esperar a quebra no suprimento atingir três minutos para ser contabilizado no indicador. “No ex- terior os limites do FEC são de minutos e não horas”, compara. A insatisfação também é grande entre consumidores de baixa tensão. A percep- ção de qualidade das unidades consumi- doras residenciais e comerciais aumentou com o advento da pandemia nos últimos dois anos, que forçou muita gente a tra- balhar de casa, criando uma maior depen- dência da eletricidade. Para estes grupo​, a falta de energia não se resolve mais comprando velas e deixando de abrir a geladeira para evi- tar estragar a comida. Uma parada po- de afetar a renda e a saúde das famílias. “Muitas vezes o problema é a forma co- mo se monta os indicadores. A concessio- nária pode estar abaixo do limite, mas cada hora sem energia é um prejuízo”, diz An- ton Schwyter, coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Instituto Bra- sileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Segundo análise do Idec usando dados da Aneel, o hiato de percepção entre o con- FEC por unidade consumidora | média Brasil Fonte: Aneel

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