Brasil Energia | Ed. 476 - Agosto, 2022
Brasil Energia , nº 476, 1 de agosto de 2022 37 E xceto por parcas iniciativas do poder público ou interes- se privado, redes subterrâne- as de distribuição de energia há muito não são mais feitas. Conces- sionárias alegam engessamento regula- tório e custos. Há quem defenda que a causa não procede, mas sim questões de inovação, governança e caráter jurí- dico, bem como a falta de uma outra vi- são para as cidades. De qualquer forma, caso houvesse in- teresse, já teríamos tido tempo para que não houvesse um metro de rede elétri- ca aérea. Inicialmente o grande proble- ma era isolar os cabos para enterrá-los. Consta que foi com o telégrafo em 1816 que teve início o emprego de cabos iso- lados enterrados. Já em 1879, empre- gando cabos isolados por uma cobertura de juta untada em betume, Thomas Edi- son desenvolveu um sistema de ilumina- ção incandescente para a cidade de No- va York. No Brasil, o início das investidas nesse sentido data dos primeiros anos do século XX nas cidades com maior desen- volvimento, Rio de Janeiro e São Paulo, ambas com a concessão de distribuição de energia elétrica pela Brazilian Trac- tion, Light and Power, precursora da Li- ght. Em 1902, o começo se deu em São Paulo com três câmaras num sistema ra- dial operando em 2,2 kV. Hoje, 120 anos depois, os números não impressionam. A Enel, atual distri- buidora para a capital paulista, informa que a companhia possui 43 mil km de rede elétrica em sua área de concessão, dos quais cerca de 2,5 mil km são de re- de subterrânea, ou 5,8%. Apenas na re- gião central da capital, a companhia já enterrou 65,2 km de rede em parceria com a Prefeitura de São Paulo, sendo 52 km no Centro e 9 km na região do Mer- cado Municipal. No bairro da Vila Olím- pia, zona Sul de São Paulo, a empresa removeu cerca de 300 postes e realizou a conversão da rede elétrica aérea para subterrânea em 4,2 km.
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