Brasil Energia | Ed. 476 - Agosto, 2022
52 Brasil Energia , nº 476, 1 de agosto de 2022 ESTRATÉGIA Wintershall, o lucro dela já não vai ser tão grande”, explicou a analista. Expectativas Ou seja, no final, foi uma decisão mui- to particular da Wintershall. A expectati- va, para o Brasil, é que mais empresas en- trem no país, tendo em vista que os cam- pos de petróleo brasileiros possuem alta produção, baixo custo e baixa emissão de CO 2 quando comparada à média das emissões mundiais. Esses fatores fazem com que não só o Brasil mas a região da América Latina (contando especialmente com a Guiana) seja o foco de crescimento de muitas empresas que estão buscando aumentar o seu portfólio de exploração. “O pré-sal, por exemplo, oferece is- so para as grandes companhias. A TotalE- nergies bidou forte em Atapu e Sépia [em Santos], a Equinor possui Bacalhau [tam- bém em Santos], a Exxon possui presença no Brasil e na Guiana…Os nossos analistas não veem esse movimento brusco da Win- tershall sendo realizado por outras compa- nhias aqui no país. Pelo contrário, a Amé- rica Latina e, notadamente, o Brasil e a Guiana são, para as grandes companhias, pontos de crescimento de portfólio ao lon- go desta década”, explicou Ricardo. O Brasil é atrativo por si só, principal- mente em relação ao óleo, e a alta dos preços do barril só aumenta a atratividade desses ativos, na opinião de Sofia. E 2022 será um ano decisivo, já que o governo está para colocar mais uma rodada de lici- tação para o pré-sal – a Oferta Permanen- te de Partilha de Produção, cujo pré-edital e a minuta de contrato já foram aprova- dos pela diretoria da ANP e estão, no mo- mento, no Tribunal de Contas da União (TCU). “O governo tem interesse em que empresas que não estão no Brasil entrem no país por meio dessas rodadas, para poder dar um boom na parte explorató- ria do Estado, principalmente no pré-sal da Bacia de Campos”, explicou a analista. Na visão de Duque, as empresas estão cada vez mais criteriosas em relação ao seu portfólio de exploração, mesmo com o preço do barril a uma média de US$ 100 nos últimos meses, e isso está conectado, em parte, à questão ambiental. “Mas a empresa quer, antes de tudo, petróleo e gás. Se existir um campo e este for ren- tável produzir, não vai ser a questão am- biental que vai impedi-la, na minha opi- nião”, finaliza o economista. n Ricardo Bedregal, da S&P Global: decisão foi estratégica Duque Dutra, economista: expectativas exploratórias e de desenvolvimento não realizadas Sofia Forestieri, da Rystad Energy: falta de infraestrutura para a produção de gás no Nordeste
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