Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022
Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 19 somos responsáveis por 15%do PIB industrial bra- sileiro, geramos mais de dois milhões de empre- gos diretos e indiretos, pagamos R$ 200 bilhões de impostos por ano, mas porque esse segmento é absurdamente necessário pra que a gente possa movimentar a economia de qualquer país. Hoje, o conceito de segurança energética está pari passu com o conceito de transição energética. Então, o grande desafio do nosso setor é poder oferecer para o mercado, tanto nacional quanto internacional, um produto que seja confiável, que tenha preço competitivo, mas que também seja descarbonizado. O nosso óleo, afinal, é um dos mais descarbonizados do mundo, temos tecnolo- gia. É um setor que investe uma quantidade brutal de recursos em inovação. O outro desafio é o de atrair jovens talentos. Atrair as novas gerações mostrando que esse se- tor tem ainda uma importância econômica muito grande no futuro e, especialmente, nessa agenda de transição energética. Ou seja, a transição ener- gética vai acontecer com o hidrocarboneto, apri- morando este recurso em todas as cadeias de pro- dução. Precisamos, portanto, de jovens talentos, com muita vocação pra tecnologia. Nós vamos precisar desesperadamente dessa mão de obra, pois vamos empregar muita gente no futuro. Você assumiu a presidência do IBP às vésperas das eleições, num cenário marcado por muitas in- certezas.A entidade já estreitou algum diálogo ins- titucional com os candidatos à presidência para apresentar a sua agenda e sondar a visão deles em relação ao setor de óleo e gás? A resposta é sim. Nós produzimos um docu- mento, que está sendo distribuído amplamente aos candidatos. Estamos realizando reuniões fre- quentes com os assessores econômicos dos can- didatos à Presidência e os governadores dos prin- cipais estados produtores de petróleo. Queremos mostrar que o IBP e o setor de óleo e gás são gran- des parceiros para os novos administradores do Brasil nessa agenda de desenvolvimento, de gera- ção de emprego, de aumento da renda. Seremos uma das locomotivas da economia brasileira pelos próximos 30 anos. São US$ 175 bilhões de investi- mentos que estão previstos até 2030, junto com a criação de 570 mil postos de trabalho. Isso é uma montanha de dinheiro que virá desde que tenha um ambiente favorável. No que diz respeito ao ambiente de negócios, como a entidade avalia o risco de um eventual no- vo governo reverter determinados marcos regula- tórios que foram alterados a partir de 2016? Nós vamos lutar bravamente pra que esse am- biente regulatório competitivo continue prepon- derando no Brasil. Nós achamos que a racionali- dade econômica vai preponderar, que é o caso, por exemplo, da questão do refino. Nós achamos que a chegada de grupos de investidores brasilei- ros e estrangeiros na aquisição de refinarias é um movimento positivo. A refinaria comprada pelo grupo Mubadala [a Rlam] lá na Bahia, já anun- ciou investimentos na faixa de US$ 500 milhões. E a mesma coisa certamente acontecerá caso es- ses projetos de venda de refinarias aconteçam em outros mercados. Ou seja, a multiplicidade de agentes no seg- mento de refino é boa para o consumidor. Por que isso? Porque o Brasil temumproblema de compe- titividade. As pessoas muitas vezes reclamam do preço de combustíveis - e reclamamcorretamente. O que acontece é que de um lado há o preço in- ternacional da commodity, que acaba aumentan- do o preço interno. É o caso do preço da carne, preço da soja, do suco de laranja, do arroz, do fei- jão. Todos esses preços são preços referenciados no mercado internacional, então isso é normal.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=