Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022

Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 21 evitar, exatamente, que alguémagrida omercado. Isso, na realidade, é do mercado. Mas todo umesforço foi feito para quebrar a po- sição dominante da Petrobras no refino, abrir omer- cado e estimular novos investimentos no segmento. Agora, muitos agentes afirmam que não faz sentido investir em refino emmeio à transição energética... Apesar de toda essa questão da transição ener- gética, acreditamos que ainda há muito espaço para investimentos na área de refino no mercado brasileiro. Porque, simplesmente, se você pegar as projeções, você vai ver que nosso consumo, espe- cialmente do diesel e em menor grau da gasolina, tendem a subir até 2030, 2040. Depois, talvez, o mercado estacione. Então, talvez não tenha, assim, mercado pra grandes projetos de refino, mas refi- narias modulares, que você possa principalmente fazer hoje o que a gente chama do biorrefino, on- de você vai conectar a tradição do refino tradicio- nal com a carga de óleo vegetal. É por isso que nós estamos defendendo a regulamentação do diesel verde, o chamado HVO. Aguardamos ansiosamen- te que o governo finalmente autorize as empresas a produzirem esse diesel de altíssima qualidade, de origem vegetal. É umdiesel que pode perfeitamen- te servir pra uma unidade de refino, existente ou planejada. Você vai gerar, inclusive, mais valor e vai reduzir as emissões de CO 2 na produção de refino. Ardenghy, você já foi ANP e Petrobras. Como es- tá o relacionamento com a Petrobras, o ministro de Minas e Energia e o diretor-geral daANP? É muito bom. Nós fizemos, recentemente, um seminário de três dias, convocado pelo ministro Adolfo Sachsida para fazer uma revisão e identi- ficar as principais pautas do setor. Então, a gen- te esteve trabalhando com eles, mostrando o nos- so posicionamento com relação a algumas pautas, como é o caso, por exemplo, do HVO, do novo re- fino, do modelo de partilha ou de concessão para as áreas do pré-sal e outros temas ligados à ques- tão do licenciamento ambiental, etc. Então, o rela- cionamento é ótimo e a equipe do MME tem sido muito aberta ao diálogo conosco. Mesma coisa da ANP. Ela completou agora seu grupo de diretores, trouxe a composição integral e tem sido um trabalho bastante técnico. E, com a Petrobras, também, mantemos um diálogo com toda a liderança da empresa. Qual a expectativa do IBP em relação ao 1º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha?  Achamos positivo o movimento da ANP. Na medida que você tem uma situação de que os campos começam a atingir maturidade, onde a produção inexoravelmente cai, você precisa fazer a recomposição dessas áreas. E só se faz isso se a autoridade pública, no caso a ANP, mantiver a oferta de blocos, pra gerar atividade exploratória, gerar atividade sísmica e retroalimentar. Um dos grandes problemas que aconteceu no Brasil foi quando o país parou de fazer rodadas de licitação por muitos anos e se criou um gap de mais de dez anos, que está agora sendo com- pensado. Finalmente, de 2022 a 2024, você vai ver uma retomada muito grande na atividade ex- ploratória, que tava represada, porque não tinha áreas para se trabalhar. Há muitos anos a indústria brasileira de óleo e gás reivindica um processo de licenciamento am- biental mais célere. O caso mais notório é o da Foz do Amazonas. Você já teve alguma reunião com o Ibama para discutir algo nesse sentido? Como o IBP está vendo a questão? Eu não tive reunião com o Ibama. Nós tivemos reunião com o MME, onde tratamos lá de um te- ma que é ligado à questão do licenciamento am- biental. Nós achamos que a legislação brasileira

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