Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022
34 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 HIDROGÊNIO AS CORES DO HIDROGÊNIO Elemento mais abundante no universo, o hidrogênio não é exa- tamente uma novidade no cenário econômico mundial. Conforme apontou a EPE na nota técnica “Bases para a Consolidação da Es- tratégia Brasileira do Hidrogênio”, é utilizado em larga escala mun- dialmente em segmentos como a indústria de fertilizantes, refino de petróleo e na produção de gases industriais e hospitalares, por exemplo. Das 115 milhões de toneladas de hidrogênio produzidas em 2018 no mundo todo, 96% foram utilizadas na produção de amônia para fertilizantes e no refino de petróleo. O hidrogênio verde surgiu mais recentemente, eleito co- mo uma das fontes de energia mais desejadas para a transi- ção energética, principalmente nos países mais industrializa- dos. Esse hidrogênio, produzido a partir de fontes renováveis, foi associado à cor verde, que exprime essa condição de fonte limpa. Mas existe uma grande quantidade de cores vinculadas ao elemento, que variam de acordo com a fonte de energia e as tecnologias adotadas em sua produção. Segundo a EPE, os principais tipos são: • Hidrogênio preto: produzido a partir de carvão mineral (antracito) sem a utilização de tecnologias de captura, utiliza- ção e sequestro de carbono (conhecidas pela sigla CCUS, de Carbon Capture, Utilisation and Storage). • Hidrogêniomarrom: produzido de carvão (hulha), semCCUS. • Hidrogênio cinza: produzido a partir de gás natural, ou eventualmente de outros combustíveis fósseis, sem CCUS. • Hidrogênio azul: produzido a partir de gás natural ou outros combustíveis fósseis com CCUS. • Hidrogênio branco: é o hidrogênio natural, ou geológico. • Hidrogênio turquesa: produzido por meio do craquea- mento térmico do metano, sem gerar CO 2 . • Hidrogênio musgo: produzido a partir de biomassa ou de biocombustíveis, com ou sem CCUS, por meio de reformas catalíticas, gaseificação ou biodigestão anaeróbica. • Hidrogênio rosa: produzido a partir da energia nuclear. na Europa, onde a nova fonte de energia poderá substituir o carvão, a energia nuclear e a geração tér- mica comgás natural, que circuns- tancialmente ficou inviável”, diz ele. Bastos não vê sentido na pro- dução de hidrogênio verde em lar- ga escala para o Brasil, que já tem fontes renováveis em abundância. “Seria usar energia verde para pro- duzir energia verde”. Francisco Habib, diretor de Engenharia da Casa dos Ventos, outra empresa com memoran- do de entendimentos firmados nesta área, destaca que o hidro- gênio verde já é viável, na Euro- pa, para o uso como combus- tível em veículos automotores. “Quando se fala de hidrogênio para outras aplicações, compa- rando por exemplo com o gás natural, ele ainda é caro. Se a ideia é queimar o hidrogênio, não faz sentido hoje”, diz ele. Para Victor Ribeiro, head de P&D e Inteligência de Merca- do da Thymos Energia, a com- petitividade de novas fontes de energia está atrelada à curva de aprendizado e ao ganho de mas- sa crítica, considerando-se o his- tórico do desenvolvimento da geração eólica e da fotovoltaica, por exemplo. “A geração eólica e a fotovoltaica eram energias de laboratório há cerca de 20 anos”, rememora Ribeiro. n
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