Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022

Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 101 da mais a participação da energia reno- vável como suprimento de base. Segun- do dados do instituto, nas últimas duas décadas a geração de energia no Brasil cresceu 78%, mas a geração térmica au- mentou 177%. “A intermitência das fontes eólica e so- lar é um fato, mas as redes inteligentes, o advento de baterias e de novas tecnolo- gias podem aumentar muito a contribui- ção destas fontes, sem ter que depender de outras tão poluentes”, lembra. Em junho, o IEMA publicou um in- ventário de emissões pelas térmicas na- cionais, que confirmou que as usinas a carvão são as menos eficientes em ter- mos de emissão, proporcionalmente à energia gerada. Ou seja, as oito usinas a carvão que injetaram energia no SIN em 2020 representaram 20% do total da energia gerada naquele ano, mas as mesmas usinas representaram 35% das emissões de CO 2 . Isto se traduz em uma baixíssima efi- ciência em termos de controle de emis- sões: enquanto cada GWh gerado por usinas a gás natural emite 442 toneladas de CO 2 equivalente, este índice sobe pa- ra 1.061 tCO 2 e/GWh no caso de carvão, pior que o das usinas que queimam die- sel, que emitem 667 tCO 2 e/GWh, segun- do o inventário. Isso sem contar os poluentes locais como emissões particuladas – fuligem – e os sulfatos e nitratos. Para Barcellos está claro: falta di- álogo e planejamento sobre os ru- mos da busca por neutralidade no setor de energia, pois ele admite a necessidade de se reduzir os impac- tos sociais da transição, mas não se pode mandar as futuras gerações pagarem o custo. “Com tamanha inflexibilidade das térmicas, o setor elétrico, que represen- ta em torno de 5% das emissões to- tais do país, vai contribuir muito mais quando revertermos o desmatamento [a principal fonte de emissão de gases efeito estufa do Brasil]. Precisamos ter ainda mais diálogo para se chegar a um bem comum”, adverte. n Planta piloto de CCUS em Santa Catarina

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