Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022

20 Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 ENTREVISTA DANIEL ELIAS ra além desse portfólio de energias renováveis que queremos desenvolver, temos também es- tudado outros tipos de novas energias. Essa é a visão de longo prazo? Sim. Quando falamos em transição ener- gética não significa que o mix de energia não contenha o negócio tradicional de petróleo e gás. Nós estamos descarbonizando o portfó- lio. Em Portugal, estamos desenvolvendo pro- jetos de hidrogênio verde para descarbonizar nossa atividade industrial de refino e transfor- mar nosso polo num parque industrial verde. Hidrogênio não está na mira da Galp para o Brasil? Depende do que você quer dizer com mira, mas concretamente não ainda. Do ponto de vista de cenários, faz parte do que avaliamos para nossa presença no Brasil sim. Nós vamos construir um portfólio significativo de ener- gias renováveis e queremos maximizar o valor desse portfólio através de soluções competiti- vas e o hidrogênio, se confirmar que é com- petitivo no Brasil, pode ser uma possibilidade. No segmento de E&P, a Galp optou pe- la estratégia de não atuar como operado- ra no Brasil, ainda que tenha assegurado um portfólio expressivo. Qual será a es- tratégia para o segmento de renováveis? Ótima pergunta, tenho até que refletir um pouco mais antes de responder…Na prática, no Brasil, ao longo desses 20 anos, fomos pioneiros em diferentes bacias, valorizamos sempre as par- cerias e tivemos foco muito grande em perfor- mance, tanto na dimensão econômica quanto na de sustentabilidade. Chegamos a ser operadores no onshore, mas sentimos que seria mais eficaz termos um portfólio não-operado em ativos de deepwater, que é onde estamos hoje. Na área de Renováveis, nesse momento, somos operadores do portfólio da Ibéria e do Brasil. O que levou a Galp a não operar ati- vos de águas profundas no Brasil e ope- rar projetos de renováveis? No Brasil chegamos à conclusão que nos ati- vos de ultra deepwater estar em parceria, como não operador, era uma decisão correta. No ca- so das Renováveis, com a velocidade que que- remos crescer e a ambição e a competência que temos, achamos que podemos maximizar o va- lor e a tomada de decisão sendo operadores. Apesar de não sermos operadores no upstream no Brasil, temos todo um time na parte jurídica, contábil, fiscal, econômica, em todas as dimen- sões relacionadas com o ambiente regulatório e de procurement , que nos posiciona bem para o mercado de renováveis. A Galp tem hoje três projetos na área de renováveis, em eólica e solar, e o pla- no é continuar crescendo. Existe uma me- ta para o Brasil? A meta não é específica para o Brasil, é global. Queremos chegar a 10 GW em 2030. O Brasil será um mercado muito importante, que atualmente representa, do ponto de vis- ta de oportunidade, 50% do nosso portfólio. Eólica offshore também está no radar da Galp? Estamos atentos a esse potencial mercado e atentos ao que está acontecendo a nível global. Para sair do papel e se tornar uma eventual con- cretização de oportunidade há muito trabalho a fazer. Nossa empresa tem a tradição da tomada de decisão de investimento robusto ser bastan- te pragmática, com todos os fatores equaciona- dos, inclusive o risco. Tupi-Iracema é um bom exemplo disso. Naquela altura foi pioneiro e ho-

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