Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022

Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 21 je é um caso de sucesso a nível global. O impor- tante é que tomamos uma decisão consciente. Como o sr. enxerga hoje o momento glo- bal e do Brasil dos setores de Óleo &Gás e de Energia tendo em vista o impacto da crise sa- nitária, gerada pela pandemia, e geopolítica? É um momento de crise global. Do ponto de vista energético, nossa missão é fornecer ener- gia de forma segura, assídua e sustentável. O Brasil tem potencial de fornecer vários tipos de energias, tanto para consumo interno quan- to externo e se o país mantiver os princípios e se todos os agentes do setor compreenderem que essa crise representa uma oportunidade, ainda que não seja algo de fácil solução, o país poderá fornecer energia mais competitiva e em maior escala. Essa oportunidade tem que ser agarrada porque, do ponto de vista de susten- tabilidade, temos petróleo e gás com a pega- da carbônica mais baixa, o que faz com que a Galp tenha a excelente marca de aproximada- mente 9 kg de CO2/boe. Além de uma matriz energética com uma série de fontes de ener- gias renováveis. Havia expectativa de que a Galp par- ticipasse do leilão de Sépia, já que a em- presa detinha participação na área contí- gua. Por que a companhia ficou de fora? Não temos dúvida da qualidade do ativo nem da qualidade do processo. Omotivo que fez com que a gente não participasse foi puramente ges- tão de portfólio global. Não teve relação específi- ca com a condição do leilão ou do ativo. A Galp não participou dos dois últimos leilões realizados no Brasil. A companhia tem interesse no primeiro leilão da oferta permanente de áreas do pré-sal? Qual a avaliação das áreas e dos bônus? O que posso falar sobre isso é que estamos, como sempre fazemos, olhando as oportuni- dades que são oferecidas. Sendo mais direta então, a Galp tem um portfólio que vai demandar muitos investimentos no Brasil, em função, por exemplo, do desenvolvimento de Baca- lhau e do redesenvolvimento de Tupi. Há espaço para novos projetos de E&P ou os atuais já irão demandar muitos investi- mentos do grupo? No nosso portfólio hoje, temos bastante es- paço de manobra. Temos o plano de desenvol- vimento de Tupi, que fizemos uma proposta de revisão, temos ativos como Sépia, Atapu, Baca- lhau e o próprio Sururu, que são áreas que têm uma primeira fase visível, mas depois existem potenciais segundas fases e a nossa preferência será sempre maximizar o valor dos ativos que nós temos, porque eles ainda têm capacidade de crescimento. Depois, no longo prazo, temos as metas de descarbonização e nossos novos ativos vão ter sempre que ser comparados a to- das as outras oportunidades que coexistem no tempo, tanto no Brasil como fora do país. O que nós fizemos, tendo em conta a questão da tran- sição energética, é que os nossos critérios de de- cisão de investimentos de upstream se tornaram bastante exigentes em todas as dimensões. O portfólio da Galp no Brasil ficou muito concentrado na Bacia de Santos, apesar de a companhia ter alguns blocos em Barreiri- nhas. A meta é manter esse perfil ou pode ocorrer uma diversificação maior? Diante do sentido de urgência da transição energética, queremos crescer nas áreas onde já estamos presentes e podemos acelerar a exe- cução. Estamos em Moçambique e fizemos um poço exploratório em São Tomé, ou seja, não

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