Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022
22 Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 ENTREVISTA DANIEL ELIAS excluímos a atividade exploratória de fronteira, mas é um portfólio pré-existente. Há previsão de exploração de upsides no BM-S-8? O que temos agendado é o cronograma de perfuração da fase 1 que, por si só, vai tra- zer informação nova. Do conceito de upsides, não temos nada. Do ponto de vista explorató- rio, o que existe são algumas incertezas que serão afinadas com a perfuração. Quanto a Galp vai investir no Brasil nos próximos anos? Nós já investimos US$ 5 bilhões no Brasil. Nos- so investimento futuro depende dos cenários e dos projetos. Prefiro não dar um número fixo, mas nosso compromisso com o Brasil é expressivo. Qual a perspectiva de crescimento da produção para o Brasil? Hoje estamos produzindo pouco mais de 100 mil boed e temos a expectativa de cres- cimento de 20% a 25% até 2025, com a en- trada em operação do projeto de Bacalhau e de novos poços em projetos já em produção. A Galp fechou recentemente contrato de fornecimento de gás com Sergás e ES Gás e tem contratos ainda com a Bahia- gás, Potigás, Cegás e Gasmig. Toda pro- dução atual já está vendida? Nós hoje conseguimos uma posição de venda para além de nosso gás produzido. Nós também temos gás associado que era da Repsol Sinopec, que adquirimos no final do ano passado. Nós hoje não vendemos só o nosso equity, vendemos também o do gás associado da Repsol Sinopec. O volume em si varia porque, como é gás associado, está linkado à produção. Quais as principais destinações de ex- portação de petróleo da Galp hoje? Ásia, com destinação basicamente para a China, e durante a crise energética incluímos a Europa também. A Petrobras e seus sócios tinham interes- se em vender suas participações nos gasodu- tos do pré-sal, os chamados rotas. Esse pro- jeto foi engavetado em definitivo tanto pela Petrobras quanto pela Galp e demais sócios? Quando você usa a palavra definitiva tal- vez seja uma provocação para ver se eu tam- bém tenho uma frase definitiva (rs).... Houve um momento que isso foi considerado e o mo- mento tem a ver com as condições do mer- cado e das próprias instituições. Os pilares da nossa nova estratégia são de reshape portfó- lio, refresh relations e reenergise our people . Posso dizer que no primeiro pilar não deixamos nada fora, ou seja, se tenho oportunidade de maximização de valor então vamos como is- so no funil. O que aconteceu foi uma questão de mercado, de posicionamento das diferen- tes empresas, que no momento não temos na- da de concreto para anunciar. Mas do lado da Galp, continuamos sempre abertos a qualquer oportunidade de maximização de portfólio. O que é fundamental para o futuro? No caso do Brasil, sem dúvida, o potencial das renováveis é grande, o potencial do pe- tróleo e gás é grande, mas, como se costuma dizer em alguns fóruns, o Brasil é uma potên- cia, mas não podemos ser só um gigante de otimismo. Temos que ser um gigante de rea- lizações e, para isso, é preciso ter consciência de tudo que é necessário simplificar e fazer em conjunto. Temos que ser gigantes da con- cretização, mapear as fontes de melhorias e fazer acontecer. n
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