Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022

32 Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 MINERAÇÃO Bruno Pascon, diretor do CBIE Ad- visory, acrescenta outros componentes sobre a discussão dos minerais nessa transição: o fato de as energias renová- veis não suprirem totalmente a deman- da de energia no mundo e a comple- xidade dos projetos minerais. Ele ava- lia que o Brasil novamente sai na frente pela matriz renovável, incluindo a gera- ção hidrelétrica. Não é o caso de países asiáticos, cuja média de renováveis é de 40% e que têm um crescimento acele- rado, demandante de energia. Para o especialista, a pauta energé- tica não pode ser conduzida somente com o viés dos ambientalistas e é neces- sário entender que combustíveis fósseis vão ser necessários por um longo tem- po, em função de aplicações como a in- dústria de plástico. Outro ponto levantado por ele é a complexidade dos projetos de explora- ção mineral. A opinião é compartilha- da por Sartório, da EY, que estima que os trâmites de licenciamento ambien- tal médio durem, no mínimo, dois anos. Outros especialistas do setor ouvidos nessa reportagem avaliam que essa é uma avaliação otimista. O projeto de Santa Quitéria, citado acima, altamente estratégico pela pro- dução de fosfato para a agroindústria, e de urânio como subproduto, está pas- sando atualmente pelo licenciamen- to, tido como demorado pelo mercado de mineração em função da demanda de fertilizantes no mercado interno e da crise de suprimentos. Alvarenga, da CBL, também argumenta que o licen- ciamento é um gargalo. Mais pé no chão em relação à de- manda de lítio para a transição energé- tica, o executivo da CBL lembra que os preços estão bem acima da média, mas sabe que o setor mineral está acostu- mado com picos e baixas e aposta num equilíbrio. “Estamos usando parte dos lucros para investimentos em ampliação de área de exploração e em novos de- senvolvimentos”, conclui. n Projeto Santa Quitéria (CE), onde está a jazida Itatiaia, de urânio e fosfato

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