Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022
62 Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 TRANSMISSÃO Ao abordar a questão, Geraldo Pon- telo, da Abrate, cita estudos da EPE “que apontam para a depreciação acu- mulada – vida útil média utilizada – do segmento de transmissão em torno de 54%. Dentro desse percentual, 7% en- contram-se totalmente depreciados, ou melhor dizendo, em final da vida útil”. Pontelo recorre ainda à EPE para dizer que o investimento para fazer frente “à demanda em ativos com potencial de fim de vida útil monta aos R$ 55,9 bi- lhões até 2031. Ou seja, de um parque de Ativos Imobilizados em Serviço (AIS) da ordem de R$ 253 bilhões, tem-se uma depreciação acumulada da ordem de R$ 137 bilhões atualmente”. Odiretor Técnico pondera que a questão da obsolescência de ativos “é um desafio a ser enfrentado pelos concessionários e pelo planejamento da transmissão, para a subs- tituição racional da infraestrutura do siste- ma elétrico” e que “a prestação adequada do serviço concedido é uma obrigação con- tratual”. Pontelo não vê “problemas imi- nentes” por conta de obsolescência de ins- talações, “porque as transmissoras sempre atentas a obrigação contratual, procuram diuturnamente operar e manter suas insta- lações da forma adequada por meio da atu- alização e modernização do parque de ati- vos existente”. “Além disso”, diz, “o plane- jamento da expansão acaba contemplando o aumento do serviço coma substituição de instalações em final de vida útil”. Thiago Dourado Martins, responsável pela Superintendência de Transmissão da EPE, explica que a superação de uma li- nha de transmissão ou de uma subesta- ção por vida útil é determinada pela pro- prietária do ativo. “O papel da EPE e mes- mo do ONS nesse processo consiste em não estabelecer os ativos que precisam ser substituídos em si, mas o de avaliar o que precisa ser feito no sistema quando uma transmissora diz que um ativo dela está com vida útil esgotada”. Segundo ele, anualmente, as transmissoras preen- chem informações sobre os seus ativos em um sistema do ONS, chamado SG- TMR, no qual elas indicam quais são os equipamentos que estão com final de vi- da útil superados e precisam ser substi- tuídos”. De qualquer forma, a EPE tem uma tabela que trata de ‘taxas de depre- ciação’. Ela sugere a vida útil regulatória e taxa de depreciação de inúmeros equi- pamentos. Diz, por exemplo, que a vida útil de um disjuntor é de 33 anos, um re- ator, 36, um transformador, 35 e um pa- ra-raio, 24 anos. Já para Martha Carvalho, o sistema de transmissão brasileiro é robusto e possui taxas de crescimento anuais elevadas. “Entretanto”, comenta, “dada a dimen- são do sistema, possui regiões que ne- cessitam de expansão para aumentar a confiabilidade ou eliminar gargalos. As linhas e subestações objeto do leilão de junho de 2022 são instalações planeja- das para ajudar no escoamento da ener- gia renovável solar de Minas Gerais, au- mento da margem de escoamento no Nordeste e aumento da confiabilidade de rede e atendimento à demanda tanto no Norte quanto no Sul”. n
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