Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022
66 Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 CONSUMIDOR metas, é cada vez mais importante es- tabelecer um processo de obtenção de dados e informações confiáveis e per- manentes para avaliação dos progressos alcançados e do potencial de conserva- ção de energia. Mas, hoje, embora em evolução, o fato é que o país não tira o melhor da energia que consome. No ranking de 2022 do International Energy Efficiency Scorecard, do Conselho Americano pa- ra uma Economia Eficiente em Energia (ACEEE para a sigla em inglês), foram analisados as políticas e o desempenho dos 25 países que mais consomem ener- gia em quatro tópicos principais: esfor- ços nacionais (governo); edificações; in- dústria e transporte – e o Brasil foi o 19º da lista. Nas edições anteriores, o Bra- sil também sempre esteve na rabeira do ranking. O ACEEE é uma organização de pesquisa sem fins lucrativos que de- senvolve políticas para reduzir o desper- dício de energia e combater as mudan- ças climáticas. Sua análise independen- te promove investimentos, programas e comportamentos que usam a energia de forma mais eficaz e ajudam a cons- truir um futuro de energia limpa e equi- tativa. Avaliam os 25 principais países consumidores de energia em 36 políti- cas e métricas de desempenho diferen- tes para obter uma pontuação combi- nada para cada um. Embora reconheça que o Brasil “en- fatiza amplamente a produção de ener- gia renovável”, o Conselho afirma que os “gastos governamentais em eficiên- cia energética permanecem muito bai- xos em comparação com outros países analisados. A falta de incentivos à efici- ência energética, como créditos fiscais, dificulta o Brasil atingir seu potencial de eficiência”. Iniciativas têm 40 anos A história formal da eficiência ener- gética no Brasil nasceu em 1982, na res- saca do segundo choque do petróleo, em 1979. Foi o Conserve (Programa de Conservação de Energia do Setor Indus- trial) criado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), cujo programa contava com aportes fi- nanceiros para o desenvolvimento de produtos e processos energeticamen- te eficientes dentro da indústria. O ob- jetivo era promover a conservação de energia neste setor e incentivar o uso de fontes alternativas domésticas pa- ra reduzir a importação de energéticos. Contudo, devido a crises financeiras, o programa foi extinto no ano seguinte. Na sequência, destacando os mais im- portantes passos, houve ainda o PME (Programa de Mobilização Energética) e o PBE (Programa Brasileiro de Etiqueta- gem), de 1984, ainda em vigor. O Procel (Programa Nacional de Con- servação de Energia Elétrica) nasceu em 1985 e ao longo dos anos foi amplian- do seu escopo de atuação. Dentre seus subprogramas, a eficiência energética é abordada em edificações com o Procel Edifica. Além disso, há um foco na ilumi- nação pública (Procel Reluz), na gestão
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