Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022
72 Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 CONSUMIDOR energia: mineração, siderurgia, química até alimentos”, explica Victor Iocca, diretor de Energia Elétrica da Abrace. Ele conta que os recursos para o programa vêm do Procel, a CNI faz a gestão, inclusive a financeira, e a Abrace cuida da gestão institucional. Inicialmente, em 2017, o Programa Aliança foi implementado em 12 plan- tas industriais de setores como siderúrgi- co, químico, de cimento e automobilísti- co. Nesse módulo, o programa identifi- cou projetos capazes de proporcionar uma economia de R$ 161 milhões por ano às empresas. Entre as iniciativas, 65% já fo- ram implementadas. A maioria envolve otimização de processos sem a necessi- dade de troca de equipamentos. Com os projetos implementados até agora, as em- presas obtiveram uma redução de R$ 87 milhões ao ano nos custos operacionais, mais de dez vezes o valor total investido, de R$ 8,3 milhões. Outro ganho aferido foi o de 175.291 MWh economizados entre as 12 indústrias atendidas: Anglo Ameri- can, Aperam, Arcelormittal, Cia. Siderúrgi- ca Nacional – Aço, CSN – Cimentos, Ger- dau, Nexa Resources – Juiz de Fora, Nexa Resources – Três Marias, Oxiteno, Rima In- dustrial, Suzano – Papel e Celulose e Va- lourtec & Sumitomo Tubos do Brasil. O va- lor do investimento é dividido, sendo 50% do Procel e o restante da empresa parceira. Financiamento difícil Segundo o MME, para cada R$ 1 in- vestido em eficiência energética obtém- -se R$ 12,66 de retorno. “E mesmo assim não há grande oferta de linhas de crédi- to. O BNDES financia eficiência energé- tica como financia um caminhão”, diz Bruno Herbert, da Abesco. Victor Iocca, por seu lado, afirma que não identifica linhas específicas para as grandes indús- trias para esse fim. No ano passado em Glasgow, Escócia, durante a COP-26, o presidente do BNDES, Gustavo Monteza- no, anunciou que a entidade usaria R$ 40 milhões do Procel para criar o Progra- ma de Garantias a Crédito para Eficiên- cia Energética (FGEnergia), um fundo ga- rantidor para empréstimos voltados para projetos de eficiência energética. O banco de fomento possui, desde 2006, uma linha de financiamento, chama- da Proesco – rebatizada em 2016 para BN- DES Eficiência Energética - direcionada pa- ra ações que contribuam para a economia de energia, aumentem a eficiência global do sistema energético ou, ainda, promo- vam a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis. O BNDES tem ainda outras linhas de crédito que apoiam proje- tos de eficiência, como o Finame e o Finem. “É pouco”, afirma Herbert. “É preciso estruturar esse assunto do ponto de vis- ta do Estado”. Ele informa que está sen- do feito na Abesco um estudo que terá apoio de uma consultoria para sugerir um produto, uma linha de financiamento que também envolva instituições financeiras e que incluam o carbono na equação. “O Brasil não pode ter um retrocesso nesse campo. Quando o país voltar a crescer, o consumo de energia vai ser enorme. Pen- sar em eficiência energética é ajudar no crescimento do Brasil”. n
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