Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022
Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 71 Embora tenha um mercado pujante, “as 25 Escos [empresas de engenharia especializadas em promover a eficiência energética e de consumo de água nas instalações de seus clientes] associadas à Abesco ainda têm um potencial enorme pela frente”, afirma Bruno Herbert. Ele acrescenta que, como política de Estado, a eficiência energética tem sofrido uma perda de protagonismo. “Nessa questão do Procel, por exemplo, nossa preocupa- ção é que esse programa não seja inter- rompido. Nem entramos ainda no mérito se ele vai ou não funcionar no seu novo destino”. Segundo Bruno, o Selo Procel é que direciona a compra do consumidor. A diretoria da Abesco tem trabalhado fortemente em assessoria legislativa nos assuntos voltados à eficiência energéti- ca, explicando seus benefícios aos par- lamentares, acompanhando os projetos lei, sugerindo emendas e substitutivos. Preocupação da indústria Segundo a EPE, a indústria brasilei- ra responde por mais de 30% do con- sumo final de energia e quase 40% da eletricidade consumida no Brasil. Promo- ver ações de eficiência energética na in- dústria é reconhecidamente uma forma de auxiliar a transformação de seus pro- cessos em busca de competitividade e sustentabilidade e resulta em múltiplos benefícios. Para a sociedade em geral, a maior eficiência aumenta a segurança energética, reduz a importação de com- bustíveis, posterga investimentos em ge- ração elétrica, reduz impactos ambientais dos empreendimentos de geração, reduz a poluição local e emissões de gases de efeito estufa, corroborando com com- promissos internacionais para o combate às mudanças do clima e aumentando o número de empregos na indústria e em serviços relacionados à eficiência. Nesse sentido, nos próximos meses, 24 indústrias de grande porte devem aderir ao Programa Aliança, uma inicia- tiva ambiciosa que pretende melhorar a eficiência energética nos processos de produção. Criado em 2015, o programa é resultado de uma parceria entre a Con- federação Nacional da Indústria (CNI), a Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumido- res Livres (Abrace), o Procel e as indús- trias. Na terceira fase, que se encerra em 2024, serão investidos R$ 20 milhões em ações que visam à redução do consumo de energia e de água por meio de ajustes nos processos de produção. O programa também identifica oportunidades de tra- tamento e reaproveitamento de efluen- tes e resíduos e de redução das emissões de gases do efeito estufa. “Dentro da Abrace, construímos nos últimos anos, em parceria com a CNI, um trabalho que resultou em um programa com uma metodologia capaz de demons- trar às indústrias que os seus processos po- dem melhorar. A gente não está mais inte- ressado em trocar lâmpada, ar-condiciona- do, essas coisas básicas. Isso, a gente parte da premissa que todo mundo já fez. Que- remos atuar com todos os segmentos que possuem plantas com alto consumo de
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