Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022

Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 99 Fernando Zancan, presidente da ABCM: caminho para a descarbonização passa pela limpeza ou compensação das emissões. Pedro Listek, CEO da Diamante: transição planejada para não causar impacto social importante sado após comprar o controle por cerca de R$325 milhões da Engie, também co- meça a fazer planos para o longo prazo. “Quando compramos, a gente fez uma avaliação do preço [de aquisição] e do que restava de capital livre e acha- mos o resultado adequado até 2027,” explica Pedro Listek, CEO da Diamante que se mudou para Criciúma em março deste ano para encabeçar a operação. Segundo o executivo, os recursos da CDE, estimados em R$700 milhões por ano, cobrem 90% dos custos de carvão e, portanto, sem o subsídio, não teria como competir no mercado e continuar a operação. A compra foi uma oportu- nidade encontrada pelo fundo de inves- timentos paulista Fram Capital Energy, controlador da Diamante Energia, para entrar no mercado de energia térmica. “Não pretendemos investir mais em carvão. Os nossos novos investimen- tos são em usinas a gás natural”, reve- la, apontando para os projetos ainda no papel de 600MW e 400MW – o primei- ro, da UTCN (Usina Termelétrica Norte Catarinense), foi incluído no pacote de compra do complexo Jorge Lacerda. Mas, o que era uma oportunidade a curto prazo de investir em um setor subsidiado, agora, com a aprovação do TEJ, torna-se um negócio de 20 anos, o que obriga a empresa a estender os planos de modernização da planta, ini- cialmente implementados pela Engie no complexo quinquagenário. Listek estima que tem mais ou me- nos RS$​120 milhões por ano para ma- nutenção e instalação de novos equipa- mentos, sem contar com 1% do fatura- mento líquido que deve ser investido em P&D. Outros projetos, como absorção e separação dos poluentes de sulfatos e ni- tratos para produção de fertilizantes, po- dem ser também uma saída. Para Listek, o plano de transição é uma boa notícia e, otimista, lembra que na Alemanha, no vale do Rio Ruhr, con- seguiu implementar um plano de tran- sição de longo prazo quando o país de- cidiu fechar as minas de carvão na re- gião nos anos 90. “É uma causa de orgulho para a Diamante Energia participar desta transição, que tem que ser planejada para não causar impacto social impor- tante,” explica. Para ele, o conselho do TEJ deve ser bas- tante ativo e monitorar de perto o plano de transição, mas ele também está ansioso para retomar as negociações com o gover- no em torno dos contratos de energia de

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