Brasil Energia | Ed. 479 - Fevereiro, 2023
12 Brasil Energia , nº 479, 10 de fevereiro de 2023 CLIMA E MEIO AMBIENTE giu mais energia, no Brasil e no mundo. A crise hídrica, decorrente da pior estia- gem em nove décadas no Centro-Sul do país, também contribuiu, pois secou as hidrelétricas e forçou o acionamento de termelétricas. A parcela de energias re- nováveis na matriz elétrica nacional di- minuiu. Enquanto o consumo de eletri- cidade aumentou 4%, as emissões por geração de eletricidade cresceram 46%. Um terceiro fator, também decorrente da seca, foi a queda na safra de cana no Sudeste, que levou a uma alta do pre- ço do etanol — reduzindo, consequen- temente, a participação do biocombus- tível nos transportes. De acordo com o SEEG, as ativida- des de exploração e produção de pe- tróleo e gás natural produziram cerca de 22,3 milhões de toneladas. Consi- derando também o transporte de gás natural e as atividades de refino, o to- tal sobe para 48 milhões de toneladas. O volume ainda permanece abaixo dos níveis pré-pandemia. Apesar da redução de participação na matriz energética, os derivados de petróleo ainda se manterão com al- ta até 2031, segundo o último Plano Decenal de Energia (PDE) da EPE. As fontes não renováveis reduzem a par- ticipação de 41% para 38% do consu- mo final em 2031, com crescimento de 1,6% ao ano. Ilan Zugman avalia que o setor de pe- tróleo é bem problemático e que as em- presas estão muito longe de cumprir os compromissos, porque estão cada vez expandindo mais suas operações, so- bretudo no Brasil. “Os leilões continu- am no Brasil por pelo menos os próxi- mos quatro ou cinco anos”. O Brasil atualizou em 2021 a me- ta da sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), se propondo a re- duzir em 37% suas emissões em 2025 e 50% em 2030, tendo como base as emissões de 2005. A meta de atingir net zero até 2050 também foi assumi- da. O texto da NDC manteve a opção por não alocar metas formais entre os diferentes setores, de forma que o País pudesse atingir as metas por diferentes caminhos alternativos. “A gestão das emissões de GEE é particularmente desafiadora para toda a cadeia do petróleo, gás natural e deri- vados, considerando ainda a significati- va expansão prevista dessa indústria de modo a atender as necessidades ener- géticas do País. Diante desse quadro, o setor tem investido em alternativas para mitigar ou compensar suas emissões”, analisa o PDE. As empresas de óleo e gás têm se des- tacado na adoção de medidas, como: re- dução das emissões de GEE das operações; implementação de tecnologias de captu- ra e armazenamento ou uso de carbono (CCS e CCUS); investimento em projetos de energia renovável e implementação de mecanismos de compensação de emis- sões. A compensação é vista como funda- mental para alcançar a neutralidade líquida de carbono após o esgotamento de estra- tégias para efetiva descarbonização.
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