Brasil Energia | Ed. 479 - Fevereiro, 2023
28 Brasil Energia , nº 479, 10 de fevereiro de 2023 EÓLICA Uma das conclusões do estudo é a de que o Brasil não precisa inves- tir em portos novos, por ter muitos já em atividade e que poderiam atuar na logística de implantação e operação dos parques de forma complementar – com alguns deles mais vocaciona- dos para a nova fonte – em todas as três regiões com maior potencial de exploração eólica offshore (Nordeste, Sudeste e Sul). Trata-se de conclusão muito positiva. Um porto novo, segundo estimativas do mercado, envolveria aportes a partir de US$ 250 milhões e teria a desvantagem de demorar ainda mais a introdução da fonte no País. A revelação do estudo se contrapõe, aliás, ao anúncio do gover- no do Rio Grande do Norte de licitar um complexo portuário neste ano pa- ra atender a projetos futuros de eólicas offshore e hidrogênio verde. Porto-indústria A vantagem inicial de ter portos dis- poníveis é ainda mais importante por- que essa infraestrutura para a fonte eólica offshore serve não só como ba- se logística para a instalação, operação e manutenção dos parques, mas como base industrial do novo mercado. A dificuldade do transporte dos imensos componentes por rodovias in- duz os fabricantes de componentes e das turbinas a se instalarem dentro das áreas portuárias, de preferência nas par- tes “molhadas”, tanto para pré-monta- gem das turbinas como, quando possí- vel, para produção de componentes, ca- so de pás e naceles, por exemplo. Segundo a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum, a demanda será pelo conceito dos portos-indústria, o que tem muita probabilidade de ocorrer em alguns complexos mais estratégicos. “A tendên- cia é que as fábricas sejam lá”, diz. Ao analisar os principais portos do País, o estudo encomendado pela asso- ciação conclui que deve haver comple- mentaridade entre os principais portos das regiões nas entregas e serviços, no- tadamente no Nordeste, sendo que três deles se destacam por conta da localiza- ção e vantagens competitivas para aten- der parte dos projetos existentes no Iba- ma para licenciamento (volume que se- rá bem menor do que os irrealistas 180 GW cadastrados). No Nordeste, o Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE), foi o mais bem avaliado; no Sudeste, o Por- to do Açu, em São João da Barra (RJ); e na região Sul, o Porto do Rio Grande, no município homônimo no Rio Gran- de do Sul. Para a avaliação, os pesquisadores compararam as características dos por- tos brasileiros com requisitos de refe- rência, no caso embasados no Porto de Esbjerg, na Dinamarca. Levaram em conta as distâncias máximas recomen- dadas e aceitáveis até as áreas de insta- lação (185,2 km até 370,4 km, respec- tivamente); de calado aéreo para per- mitir passagem de guindastes (no reco- mendado sem limite e no aceitável de
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