Brasil Energia | Ed. 479 - Fevereiro, 2023
30 Brasil Energia , nº 479, 10 de fevereiro de 2023 EÓLICA res, dentro da área molhada, com aces- so direto ao mar, 80% desse total conta com manifestações de interesse de em- presas. Embora ainda não tenham assi- nado um contrato, segundo Andrade a expectativa é que até o final do ano is- so ocorra, tanto para celebrar a implan- tação de bases de desenvolvedores co- mo para fornecedores Tier 1 da cadeia (montadoras de turbinas e de principais componentes). O incentivo do Porto do Açu para buscar se tornar hub de desenvolvimen- to em eólica offshore no País se funda em vantagens competitivas da região. De início, como ressaltado pelo estudo da Coppe e da Essenz, sua localização é muito próxima dos principais projetos de parques, entre 20 e 30 km das áreas, segundo o diretor da Prumo. Além disso, pesa a favor a caracterís- tica dos campos de eólica offshore na região, em lâminas de água muito ra- sas, entre 20 e 60 metros no máximo, e com solo apropriado que facilita a fixa- ção dos aerogeradores com estacas mo- nopile, tecnologia mais barata do que as jaquetas ou as eólicas flutuantes. Para completar, é também vantagem competitiva o fato de o futuro hub es- tar no centro de carga mais importante do Brasil, ao contrário do Nordeste, cujo custo e déficit de linhas de transmissão podem ser barreira para investimentos. Por essas questões, Andrade acredita que o Sudeste vai viabilizar os primei- ros investimentos de eólicas offshore no Brasil. Para ele, entre 2030 e 2033 a ex- pectativa é a região ter os primeiros 3 GW a 5 GW do País de potência insta- lada no alto-mar. “Mas para isso acon- tecer é preciso que o governo anuncie o primeiro leilão de cessão de área neste ano”, alerta. Para aproveitar as vantagens compe- titivas, a expectativa da Prumo se baseia em três pilares. Para começar, o fato de ser um porto pronto, com infraestrutu- ra e área para arrendamento, se torna atrativo natural para os investidores, ca- so dos que já assinaram MOUs para es- tudos. O segundo pilar são as várias si- nergias operacionais com parte da ca- deia de valor que hoje dá apoio ao setor de óleo e gás offshore no porto. Mui- tas das embarcações e dos serviços que servem essas demandas também serão deslocadas para as eólicas. Já o terceiro pilar se fundamenta no esforço já iniciado de criar uma cadeia de fornecedores no porto. Isso vai per- mitir o andamento de vários projetos ao mesmo tempo, com os mesmos forne- cedores. A expectativa com isso, aliás, de acordo com Andrade, é a do Por- to do Açu também conseguir atender com essa cadeia os projetos do Sul do País, com navegação de cabotagem pa- ra transportar componentes produzidos em São João da Barra. Construção e embarcações Além da infraestrutura de portos, que o Brasil demonstra ter uma boa ba- se inicial para os projetos, a logística de implantação dos novos parques tam-
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