Brasil Energia | Ed. 479 - Fevereiro, 2023
Brasil Energia , nº 479, 10 de fevereiro de 2023 61 U m foco ligeiro sobre os nú- meros de 2022 referentes à entrada de novas PCHs e CGHs pode dar a impres- são de um ano altamente positivo, com crescimento de 85,6% na potência que entrou em operação comercial em com- paração ao ano anterior. Mas quando essa luz vai um pouco adiante e compa- ra os números com o estoque de proje- tos existentes, o cenário é pouco anima- dor e preocupa as entidades representa- tivas do segmento. No ano passado entraram em ope- ração comercial 220,19 MW de capa- cidade, distribuídos por 12 PCH e du- as CGHs. Em 2021 o número de usi- nas havia sido quase o mesmo, 14, mas a capacidade acrescida foi de apenas 118,65 MW. Atualmente os dados da Aneel registram a existência de 590 projetos de pequenas hidrelétricas, so- mando 8.238,22 MW, pouco mais do que os 8.370 MW da UHE Tucuruí, a segunda maior hidrelétrica 100% bra- sileira e quinta maior do mundo. Toda essa capacidade, segundo os dados atualizados no dia 17 de janei- ro deste ano, já possuíam o DRS-PCH, que é o despacho da Aneel aprovan- do o sumário executivo do projeto bá- sico do empreendimento, passaporte para que o investidor requeira o licen- ciamento ambiental e a própria Aneel providencie a reserva de disponibilida- de hídrica com a ANA. É no licenciamento que ocorre a tra- va maior e o segmento busca há anos uma saída para convencer a sociedade e autoridades que os benefícios gera- dos pelas pequenas usinas são maio- res do que seus impactos sobre o meio ambiente. As PCHs são uma realidade secu- lar, mas como parte do projeto de ex- pansão das fontes renováveis elas fo- ram pensadas no Brasil no início des- te século, no rescaldo do “apagão” de 2001/2002. Com a Lei 10.438/2002 ela tornou-se uma fonte incentivada, no âmbito do Proinfa, juntamente com outras fontes renováveis como a eólica, a solar e a biomassa. Como já se vislumbravam enormes obstáculos à construção de usinas hi- drelétricas com grandes reservatórios, uma vez que o potencial remanescente dessas usinas estava, basicamente, na Amazônia, a construção em larga es- cala de PCHs poderia ser uma alterna- tiva de geração flexível e descarboni- De quase 1,5 mil MW em estoque para entrar no mercado nos próximos anos, mais de 500 MW estão sem previsão. Entidades pedem política pública POR CHICO SANTOS
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=