Brasil Energia | Ed. 479 - Fevereiro, 2023

64 Brasil Energia , nº 479, 10 de fevereiro de 2023 HÍDRICA nutas a serem publicadas é que trarão as especificidades”, pondera. É em torno dessas especificidades que se espera uma ação liderada pela União para amarrar os propósitos favoráveis, dentro do rigor das melhores políticas so- cioambientais, como ressaltam as duas principais lideranças do segmento. Pensando em mostrar esse alinhamen- to das hidrelétricas, especialmente das pe- quenas, comos objetivos de descarboniza- ção e da conservação ambiental, a Abrap- ch vai convidar a ministra Marina Silva pa- ra participar da abertura de sua conferên- cia anual que vai acontecer nos dias 29 e 30 de março, marcando o décimo aniver- sário da entidade. “A ministra Marina conhece muito da questão ambiental e queremos mostrar para ela que as PCHs são empreendimen- tos de baixo impacto, em grande parte reversíveis, e de benefícios indiscutíveis”, pondera Torres. Entre os trunfos que a presidente da Abrapch pretende apresentar à ministra está um estudo do órgão ambiental do Paraná (Instituto Água e Terra – IAT) de- monstrando que as PCHs reflorestaram quase 3,5 vezes mais do que suprimiram vegetação ao serem instaladas. O estudo abrange o período de 2014 a 2022, en- volvendo 89 projetos. A supressão foi de 951 e a recomposição, de 3.119 hectares. Torres pretende mostrar à ministra, e ao Ministério Público Federal (MPF), ou- tra constatação, esta da Aneel, segundo a qual a instalação de pequenas hidrelétri- cas beneficiam o avanço do índice de de- senvolvimento humano (IDH) dos municí- pios onde elas são instaladas. Todo esse esforço tem como principal objetivo destravar uma estatística que pa- rece estar andando para trás. De 1.490,94 MW, distribuídos por 114 projetos com liberação teoricamente prevista para os próximos anos, 519,94 MW estão sem previsão. Para este ano, a estimativas é que entrem em operação comercial ape- nas 100,47 MW. Das 114 usinas que deveriam ser libe- radas nos próximos anos, 91, totalizando 1.188,97 MW, estão com seus cronogra- mas atrasados e apenas 23 estão adianta- dos ou dentro do previsto. Quanto à viabi- lidade dos projetos, as estatísticas da Ane- el classificam 51 (610,30 MW) como de média, 34 (360,74 MW) como de alta e 29 (519,89 MW) como de baixa. Segundo Torres, 90% dos proje- tos de PCHs listados na Aneel estão fo- ra da Amazônia, o bioma mais delicado em termos ambientais do país. Abrapch e Abragel argumentam ainda que a via- bilidade das hídricas em relação às de- mais fontes renováveis precisa ser medi- da considerando, entre outros fatores, que elas entregam o pacote completo, incluindo as linhas de transmissão. Dentro dessa conjuntura, o segmento pleiteia uma política pública que balanceie os prós e contras e que veja nas PCHs e nas hidrelétricas como um todo um trunfo que o Brasil possui no esforço universal em busca de fontes de armazenamento que possam servir de suporte à expansão das fontes variáveis. n

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