Brasil Energia | Ed. 479 - Fevereiro, 2023

Brasil Energia , nº 479, 10 de fevereiro de 2023 71 Victor Venâncio Victor Venâncio, engenheiro de Produção / Mecatrônico com M.Sc e MBA pela FGV e Esade Business School, é head de Transformação Digital Latam da IHM Stefanini. Escreve na Brasil Energia a cada duas edições TRANSFORMAÇÃO DIGITAL COMO UM DOS EIXOS DA AGENDA DA COMPETITIVIDADE O novo governo recriou o Ministério do Desen- volvimento da Indústria e Comércio (MDIC) e já no discurso de sua nomeação o ministro Geraldo Al- ckmin lançou a Agenda de Competitividade Indus- trial, estruturada em sete eixos estratégicos: refor- ma tributária, educação técnica, custo de capital / redução dos juros, infraestrutura e logística, acor- dos internacionais para prospecção de novos merca- dos, desburocratização / redução do “custo Brasil” e economia verde / mercado de bioenergia. Sem dúvida, estes são tópicos super-relevantes para melhorar a competitividade de vários segmen- tos industriais brasileiros, temas de ações urgentes devido às nossas nada honrosas posições no ranking de competitividade digital publicado em 2022 pe- lo International Institute for Management Develo- pment (IMD) 1 , onde ocupamos a 52a posição, e no ranking global de inovação publicado pela World In- telectual Property Organization (WIPO) 2 , onde ocu- pamos a 54a posição, mesmo o Brasil sendo uma das maiores economias do mundo. Assim, senti falta de termos um eixo específico dedicado à transformação digital como apoio para a melhoria de nossa competitividade. A transformação digital consiste em atuar, simultaneamente, em três pilares estratégicos: tecnologia, processos e cultu- ra, melhorando a eficiência operacional, a eficiência energética e possibilitando novos modelos de negó- cios. Definitivamente não é uma tarefa fácil, mas é fundamental que seja parte de uma estratégia mais abrangente de nação. Na Câmara Brasileira da Indústria 4.0 do Minis- tério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) 3 , di- versas iniciativas estruturantes têm sido tomadas há alguns anos, já trazendo resultados concretos à nossa sociedade e que poderiam ser ainda mais po- tencializados caso a transformação digital seja reco- nhecida como um dos eixos da agenda de Competi- tividade Industrial. A externalidade de uma jornada de transforma- ção digital se expressa através dos canais econômi- cos de um país, onde a adoção de tecnologias con- vencionais, emergentes da indústria 4.0 ou disrup- tivas, a otimização dos processos industriais, corpo- rativos, burocráticos e do ambiente de negócios e a adaptação da cultura das organizações e entes do governo, impactam os lucros das empresas, salários dos funcionários e capacidade de geração de em- pregos e valor, afetando diretamente as desigualda- des em uma sociedade. Vários fatores afetam as desigualdades em nossa sociedade e a transformação digital é um desses fa- tores que, dentro de uma estratégia de nação, pode trazer benefícios em escala. Avanços tecnológicos criam, destroem e mu- dam perfis de empregos, resultando em vencedores e perdedores durante a jornada da transformação digital. Isso demonstra, portanto, a relevância des- te tema como parte da Agenda de Competitividade. Precisamos atuar para que tenhamos mais vencedo- res do que perdedores, e que possamos criar alter- nativas factíveis para os excluídos deste processo, reforçando o letramento digital ao maior número de pessoas. Somar a transformação digital aos sete eixos da agenda da competitividade é, portanto, uma impor- tante alavanca para o país, como descrito no guia de convergência OT-IT publicado pelo Instituto Brasilei- ro do Petróleo e Gás 4 . —————- 1 https://www.imd.org/centers/world-competitiveness-center/ rankings/world-digital-competitiveness/ 2 https://www.wipo.int/edocs/pubdocs/en/wipo-pub-2000- 2022-section1-en-gii-2022-at-a-glance-global-innovation-index- 2022-15th-edition.pdf 3 https://camara40.com.br/ 4 https://www.ibp.org.br/personalizado/uploads/2022/05/ convergencia-ot-it.pdf

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