Brasil Energia | Ed. 479 - Fevereiro, 2023
Brasil Energia , nº 479, 10 de fevereiro de 2023 73 A energia pesa e muito na conta das concessionárias de saneamento básico. Nas contas de Gustavo Collere Possetti, gerente de Pesquisa e Inovação da Sanepar, o consumo de energia elé- trica associada com serviços de sanea- mento corresponde entre 2% e 3% do consumo total brasileiro, ou seja, apro- ximadamente 12 TWh/ano. Na conces- sionária paranaense, o gasto em 2021, último dado público consolidado e dis- ponível, superou os R$ 535 milhões e foi o segundo maior valor pago a for- necedores, correspondendo a cerca de 11,7% do total gasto no período. Diferentemente das outras empre- sas ouvidas na reportagem, a Sanepar é abastecida por concessionárias de ener- gia em contratos no mercado regulado, cenário que deve começar a mudar em 2023 e que já tem indicações positivas: a migração deve trazer economias va- riando entre 10% e 20% em relação ao custo da energia elétrica praticado no mercado cativo, dependendo dos va- lores unitários consolidados no ato da efetivação da operação. A mudança é importante, pois nem a pandemia desacelerou a demanda de energia. O que se observa é que as empresas do segmento mantêm um ataque em duas frentes para reduzir os custos: a migração para o merca- do livre e para a geração distribuída, no roadmap da Sanepar e já realida- de para quase todas as concessioná- rias privadas, e a otimização energéti- ca de seus sistemas. É o caso da Aegea, que tem opera- ções em 178 cidades de 13 estados, atendendo cerca de 26 milhões de pes- soas. De acordo com Emerson Rocha, gerente de Gestão de Energia e Eficiên- cia Energética do grupo, 75% da car- ga de energia do grupo já é negociada no ambiente desregulado, incluindo as ligações de média e alta tensão. Na ava- lição dele, o avanço no mercado livre vai depender da inclusão de unidades con- sumidoras de baixa tensão, ainda sem previsão de liberação. “Desde 2018 temos trabalhado com energia distribuída justamente para atender as áreas de baixa tensão, onde não há a possibilidade de sair do merca- do regulado. Temos projetos em dez es- tados, dos quais a metade já está ope- rando e o restante será ativado até o pri- meiro semestre de 2023”, informa. Ro- cha explica que esses empreendimentos – de fonte solar – são contratados e não próprios e respondem atualmente por 11% da demanda de energia do grupo. Eficiência energética de motores também conta Na outra ponta, a empresa tem vá- rios programas que focam na eficiência de seus equipamentos. Um deles envol- ve o diagnóstico do consumo energé- tico, cujo exemplo mais recente é do Rio de Janeiro, onde a empresa assumiu dois blocos da antiga Cedae, cobrindo as áreas Sul, Norte e Centro da capital
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