Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 101 Wagner Victer Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex-conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia AS BATERIAS TERÃO ESPAÇO NO SETOR ENERGÉTICO NACIONAL Com a crise energética vivenciada no Brasil no iní- cio dos anos 2000, também conhecida como “apa- gão”, o país começou a vivenciar a modificação da sua matriz energética. Como uma das estratégias à época, foi lançado o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia pela Lei Federal 10.438/2002, conhecido também como Proinfa. Na ocasião, como então Secretário de Energia, Indústria Naval e Petró- leo, participamos ativamente da discussão dessa no- va legislação, até porque também se iniciava um for- te movimento em relação à importância das energias limpas, ao mesmo tempo confrontadas com a neces- sidade do rápido complemento da geração de ener- gia elétrica, basicamente suportado por um programa prioritário para implantar termelétricas a gás. Nesse cenário foi fundamental desenvolvermos novas tecno- logias, em bases competitivas, para complementar ou até compensar as emissões que viriam. O foco do Proinfa se colocava em três fontes: a re- tomada das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que tiveram grande participação no início da geração elétri- ca brasileira, a geração de energia elétrica a partir da biomassa e as energias eólicas, que eram consideradas pouco competitivas. O fato é que a estratégia adotada na ocasião, de es- tabelecer compra de energia para “projetos piloto” em até 1100 MW para cada uma dessas fontes, conseguiu iniciar a parametrização para torná-las fontes bastan- te competitivas atualmente. Aliás, os preços praticados hoje eram considerados inimagináveis no passado e fo- ram obtidos, em grande parte, a partir do avanço tecno- lógico, especialmente na geração eólica. O setor elétrico brasileiro sempre foi bastante com- plexo. É um sistema continental interligado e gerencia- do a partir de quatro subsistemas com características próprias de demanda e de potencial de geração. Ca- da um desses subsistemas tem potencialidades distin- tas para as diversas fontes, não só as tradicionais hi- drelétricas ou um potencial geração de origem fóssil, mas também para as energias renováveis. Basta ver os dados recentemente apresentados pela Absolar, que aponta cerca de 25 GW de geração de fonte solar (um crescimento de 70% em apenas um dos recentes anos) que obrigatoriamente nos lança a outros desafios dian- te das intermitências que essas fontes possam gerar ao longo das estações do ano, e até ao longo do dia como no caso da solar. O crescimento de fontes, especialmente a solar, ge- rou alguns problemas de maneira não controlada em outros países, como o clássico caso da Espanha, onde alguns subsídios foram abruptamente retirados e até aplicadas taxações não previstas. A inteligência lógica na aplicação das diversas fontes será fundamental pa- ra ter um sistema cada vez mais saudável e que fique menos sujeito às variações e comportamentos que nos levaram aos riscos do passado, onde os reservatórios chegaram a níveis extremamente baixos. Historicamente, o armazenamento de energia no Brasil se fez de maneira prioritária através dos níveis dos grandes reservatórios das hidrelétricas, onde mui- tos deles operavam em reservas plurianuais e que dian- te da falta da expansão da geração e transmissão no setor elétrico, aliado a comportamentos pluviométricos abaixo das séries históricas, como aliás aconteceu de
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