Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
102 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex-conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia Wagner Victer novo cerca de três anos atrás, levaram a momentos de muita preocupação no país. Cada vez mais esses cená- rios têm sido um grande desafio, o que faz com que não busquemos somente um potencial de geração de base térmica, mas também o desenvolvimento de outras for- mas de complemento para compensar essas flutuações. Recentemente, assistindo ao Trabalho de Conclusão de Curso de um graduando em Engenharia na Escola Po- litécnica da UFRJ, despertou-me muito interesse e aten- ção uma nova solução: a aplicação de sistemas de bate- rias, já utilizados em outros países, para complementar sistemas de geração flutuantes de fontes alternativas. Nessa nova tecnologia há desafios concretos para viabilizar os sistemas de estocagem por baterias de íons de lítio, que podem ser aplicadas associados a muitos subsistemas, e não só no Nordeste, onde existe forte geração de base solar, mas também próximo a sistemas de demandas, como Sudeste/Centro-Oeste. Desafios di- versos ainda devem ser percorridos, porém não estão afetos a restrições de infraestrutura, até porque esses projetos ocupam muita pouca área e podem ser facil- mente localizados perto de subestações receptoras de 138kV, e são de fácil licenciamento ambiental pelo bai- xíssimo espaço ocupado e baixos impactos. Os sistemas integrados de baterias de íon de lítio são montados em forma de contêineres, e, tal qual prevía- mos com eólicas e sistemas solares há mais de 20 anos, certamente terão espaços concretos na matriz energética brasileira. Na próxima década, a expectativa internacio- nal é uma redução de 50% nos custos dessa tecnologia. Destaco que ainda há pouca literatura e raros es- tudos desenvolvidos focados no Brasil como esse que pude observar na apresentação do jovem engenheiro e que, certamente, será um foco para o futuro para os de- senvolvedores de soluções, empresas de energia e até as próprias oil companies. Atualmente já existem plantas de baterias muito sig- nificativas em diversos locais do mundo, como no Chile, onde foram anunciadas, em novembro, uma planta de 34 MWh integrada a um projeto eólico e outra de 32 MWh integrada a um solar, além dos sistemas semanalmente instalados ao longo dos Estados Unidos e da Europa, que demonstram que é uma tendência natural que trará be- nefícios em breve e que requer toda atenção. Outro desafio para viabilizar os eventuais leilões de projetos pilotos será a redução, pelo menos temporá- ria, da carga tributária existente para internalizar esses tipos de baterias íon lítio. Atualmente superam a faixa de 70%, o que retira a economicidade desses projetos, onde o capex tem forte participação. No âmbito dos Es- tados da Federação fica até mais fácil criar mecanismos para a redução do ICMS, porém os impostos necessá- rios à internalização, em especial o Imposto de Impor- tação (II) e o Imposto de Produtos Industrializados (IPI), devem ter algum sistema temporário de isenção como incentivo dessa nova base de suporte à geração. É claro que esses sistemas devem ser validados e re- ceber ainda uma regulação própria e entrar no Plane- jamento Energético Nacional, não somente como sen- do um mero viabilizador de uma operação para “pe- gar energia em momentos mais baratos e guardar para vender em momentos com valores mais elevados”, mas também valorizando todas as externalidades e os bene- fícios que conseguem trazer de equilíbrio e qualidade ao próprio sistema elétrico, ao desenvolvimento con- tínuo das fontes renováveis e, principalmente, como mais uma alternativa tecnológica para o suporte efetivo ao processo de transição energética no país.
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