Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 105 J á uma potência global da bio- energia, com seu programa de etanol e um potencial quase inesgotável de aproveitar imen- sa fonte de biomassas, o Brasil pode dar mais um passo à frente do resto do mundo por conta de uma inovadora ini- ciativa da pesquisa nacional. Desde abril de 2022, o laboratório de genômica e bioenergia (LGE) da Uni- camp, de Campinas (SP), está liderando o desenvolvimento de rota tecnológica para produzir uma variação de biogás enriquecido com hidrogênio, que dá ao biocombustível maior rendimento ener- gético, e permite obter hidrogênio ver- de – aposta da descarbonização global – pela via biológica. O produto foi batizado pelos pesqui- sadores, liderados pelo professor e coor- denador do LGE, Gonçalo Pereira, uma das maiores autoridades de bioenergia do País, como biohitano. A ideia central tem como base replicar, com pegada re- novável, a partir de fontes residuais, o “hitano”, a versão fóssil já existente na literatura mundial e em algumas poucas aplicações em teste, uma mistura do hi- drogênio (10% a 30%) e metano (70% a 90%) produzido a partir da reforma do gás natural. Além da sua origem renovável, no caso do estudo da Unicamp a partir dos resíduos da produção sucroalcoo- leira (vinhaça e torta de filtro), o bio- hitano, assim como sua versão fóssil, melhora a combustão de motores e re- duz as emissões de dióxido de carbo- no e de óxidos nitrosos (NOx), em ra- zão da presença do hidrogênio, com- bustível limpo. A pesquisa na Unicamp, financiada com recursos da Shell, porém, em vez de obter o hidrogênio a partir da refor- ma do gás natural, para ser misturado ao metano, é obtida a partir da ação dos microrganismos. Neste primeiro ano de pesquisa, revela Gonçalo, a equipe já conseguiu selecionar tratamentos para os microrganismos, em pequenos reato- res, para gerarem o hidrogênio, primei- ra etapa do processo que será desenvol- vido em mais quatro anos até gerar uma planta piloto. Para a primeira etapa, explica o pro- fessor, os pesquisadores removeram os microrganismos específicos que se alimentam de hidrogênio (archaeas), para permitir na digestão anaeróbica do substrato gerarem o H 2 . Após isso, na segunda etapa do bioprocesso, são incluídas as archaeas na população de microrganismos, para aí produzir o metano (CH 4 ) a partir da parte da bio- massa que não foi convertida em hi- drogênio. Com os dois gases gerados

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