Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
106 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 BIOCOMBUSTÍVEIS e separados, portanto, em uma tercei- ra etapa há a mistura entre os dois ga- ses para formar o biohitano, produto altamente valioso. Além da possibilidade de criar o biohitano, Pereira chama a atenção para o ineditismo da pesquisa de se dominar a produção de um hidrogê- nio realmente verde, produzido a par- tir da ação dos microrganismos. “Re- solveram chamar o hidrogênio pro- duzido a partir da eletrólise da água, com energia eólica ou solar, como verde, mas eu costumo brincar que o que tem de verde nessa rota é a gra- ma onde está instalada a torre eólica ou o módulo solar”, diz. No caso do biohitano, um dos obje- tivos do projeto é entender o quanto será agregado de hidrogênio, já que mesmo em pequenos percentuais o poder energético do biocombustível aumenta muito. Planta piloto Segundo o pesquisador Oscar Her- rera, engenheiro químico que faz pós- -doutorado no laboratório da Unicamp e é responsável pelo desenvolvimento da planta piloto do biohitano, os pri- meiros testes, com frascos de 300 ml, já foram concluídos e neste ano o esca- lonamento passará para 4 litros. O ob- jetivo final é ter planta piloto, daqui a dois anos, com equipamentos para 150 litros. “A ideia é até lá dominar o pro- cesso para poder transferir a tecnologia para empresas”, diz. Na fase de testes em frascos, expli- ca Herrera, já foi possível otimizar a produção de hidrogênio pelos micror- ganismos, com pré-tratamentos e es- colhas de condições, chegando a con- centrações entre 55% e 63% do ele- mento, em tempos muito curtos. “São resultados muito satisfatórios, porque na literatura o máximo que se alcan- ça é, em média, entre 40% e 50%”, completa. A meta agora, depois dos resulta- dos, é otimizar a geração de H2 e me- tano para levar a operação para rea- tores que operam em fluxo contínuo, porque os testes foram feitos em ba- teladas. Isso para reproduzir a experi- ência de uma indústria e tornar o pro- cesso viável no futuro. Com hidrogênio separado e nas concentrações hoje obtidas, segun- do o pesquisador, a sua dosagem deve fazer com que o percentual enriquecido no biohitano chegue a uma média de 10% a 15%. De acordo com ele, a expectativa é que o poder calorífico do biohitano, em comparação com o biometano, fi- que entre 20% e 30% maior. “Mas pode ser até mais, a depender da quantidade de hidrogênio que será misturado”, diz. Playground da indústria química O projeto na Unicamp foi via- bilizado com recursos de P&D da Shell, que precisa atender cláusula da ANP de investir em pesquisa no
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