Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

108 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 BIOCOMBUSTÍVEIS Brasil. No caso do biohitano, foram R$ 6,1 milhões no LGE, que tam- bém recebeu mais R$ 30 milhões para outro projeto em paralelo, ini- ciado em novembro de 2022, pa- ra dominar a produção de etanol a partir do agave. De acordo com o gerente de tecno- logia de baixo carbono da Shell, Ale- xandre Breda, o apoio à pesquisa te- ve como impulso inicial o interesse em encontrar rota mais eficiente energeti- camente de se obter hidrogênio verde. “Produzir hidrogênio, pelas rotas con- vencionais, por eletrólise ou reforma de metano ou de etanol, tem um gas- to energético muito alto”, disse. Com essa premissa, continua Bre- da, surgiu a motivação de apoiar o desenvolvimento de um bioproces- so, cujos gastos energéticos são mui- to baixos, que convertesse algum re- síduo em hidrogênio. A partir daí, a empresa passou a buscar alguma rota competitiva, de baixo consumo ener- gético, chegando no projeto de apoio a pesquisas com o biogás para obten- ção do biohitano da Unicamp. Além da obtenção do hidrogênio, porém, pesou também para a escolha do projeto o fato de o biogás também gerar muito dióxido de carbono (CO 2 ). “Com esses dois gases em abundância, é quase o playground de uma indústria química, onde é possível ir juntando as moléculas e formar várias cadeias, co- mo o metanol e vários outros produ- tos”, afirmou. Para Breda, a produção do biohita- no, versão do biometano enriquecido com o hidrogênio, seria uma entre as várias demandas. No caso, explica, há experiências em países desenvolvidos de injetar percentuais baixos de H 2 em redes de gás natural, na versão fós- sil (hitano), mas trata-se aí de opera- ções pontuais para testar a integrida- de dos ativos. “Mesmo em proporções pequenas, há a necessidade de verifi- car se o hidrogênio vai causar fragili- dade nos metais das tubulações, esse estágio ainda está em escala piloto no mundo”, diz. n Oscar Herreira, pesquisador da Unicamp responsável pela planta piloto Gonçalo Pereira, coordenador do LGE da Unicamp: hidrogênio realmente verde, produzido a partir da ação dos microrganismos Alexandre Breda, gerente de tecnologia de baixo carbono da Shell: rota mais eficiente de se obter hidrogênio verde

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