Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 109 Eduardo Tobias Ruiz Eduardo Tobias Ruiz, sócio-diretor da Watt Capital, escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. PANORAMA DO FINANCIAMENTO DE PROJETOS EÓLICOS EM 2023 Contexto da oferta de crédito No ano de 2022, os projetos de geração eólica contrata- ram R$ 7,9 bi em crédito de longo prazo junto às três princi- pais fontes (BNDES, FNE e debêntures incentivadas). O volu- me foi 22% inferior a 2021 (Fig. 1) e o número de complexos eólicos financiados caiu quase pela metade, de 32 para 17. O BNDES permaneceu como principal credor, com 50,2% do total (BNDES, 2023a). As debêntures incen- tivadas, por sua vez, cresceram para 24,7% do volume total em 2022, quase superando os recursos contrata- dos do FNE via BNB (ME, 2022). Esse artigo explorará essas e outras modalidades de crédito relevantes, bem como estratégias emergentes. Desafios do lado da demanda Os altos valores de CAPEX1 e taxas de juros somados aos baixos preços de longo prazo da eletricidade come- çam a se refletir nos volumes e quantidade de projetos financiados. As altas taxas de juros de longo prazo enca- recem tanto o custo do capital próprio do empreendedor quanto o de todas as fontes de financiamento em reais. A parcela fixa daTLP subiu para 6,15% a.a. emmar./23 (BN- DES,2023b),eaNTN-Bcomvencimentoem2030 foi para6,19% a.a. (Tesouro Nacional, 2023).ATLP subiumais que a NTN-B, pois o ‘fator alfa’ passou a ser igual a um a partir de janeiro de 2023. Com isso,BNDESedebêntures passama ter custos semelhantes.A inflação, aomenos, começou a ceder: o IPCA caiu para 5,60%em fev./23,noacumuladode12meses (IBGE,2023). BNDES Os R$ 3,964 bilhões contratados em 2022 atenderão à implantação de apenas quatro complexos eólicos. Todos conseguiram prazo total próximo ao limite de 24 anos.A ta- xa de juros média contratada foi de TLP + 1,83% a.a. (BN- DES, 2023a). Apesar da taxa de juros mais alta que o FNE, da incidência do IOF e do sistema de amortização menos flexível, pesa a favor do BNDES seu orçamento irrestrito, li- mite de alavancagem de 80% e uma demanda por garan- tias extra-projeto mais branda e previsível (BNDES, 2022c). Em 2022, o BNDES trouxe algumas novidades.A primei- ra, foi a atualização do ‘preço de suporte’, com aumento real entre 8 e 12% (Canal Energia, 2022). A segunda foi a cria- ção do ‘crédito backstop’: aprovação do crédito com flexibi- lidade para o tomador usar parte do limite para contratar dí- vidas em condições mais favoráveis posteriormente. Além disso, o BNDES segue estimulando fontes comple- mentares, como debêntures incentivadas. Em 2022, o BNDES subscreveu parcialmente a 40% das emissões do setor eólico, no total deR$119mi.Ademais,aprovouoaporte de até R$ 1 bi em fundos de crédito e de participação de equity em infraestrutura (BNDES, 2022a). Debêntures incentivadas O volume das emissões caiu somente 11,3% em 2022, embora tenha sido puxado para cima pe- la emissão de R$ 950 mi para o complexoVentos de Santa Tereza. A dívida, estruturada como corporate finance com fiança da AES Brasil por 22 anos, foi a maior emissão da história do setor eólico e o segun- do prazo mais longo. Todas as emissões se deram durante a fase de construção dos respectivos proje- tos (ME, 2022). Do acumulado de R$ 7,9 bi de de- Fig. 1 – Principais Fontes de Crédito de Projetos Eólicos. Fonte: BNDES (2023a); ME (2022); BNB (2023a).
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