Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

14 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 no leito marinho, a 2.000 m de lâmina d’água. Nem vai para a superfície, volta direto para o campo. VC : Para se realizar a captura nas pla- taformas, precisamos de compressor de grande porte para trazer à superfície. Se conseguirmos fazer no fundo do mar, va- mos economizar energia. Essa tecnolo- gia está em desenvolvimento avançado. Quais os desafios desta tecnologia e, de maneira geral, da descarbonização? TH : O mundo precisa capturar CO 2 por causa da mudança climática. Os projetos estão aparecendo, não tem projeto suficiente, isso é um desafio da humanidade. Outro é a regulação. Tam- bém tem que ter preocupação de selo. E a questão ambiental, como fica, por exemplo, para logística e armazenagem? TH :O lugar precisa ser nas profunde- zas e o CO 2 precisa ficar lá. Não pode sair de lá (por alguma fenda) e acabar na superfície. A indústria no mundo tem to- do um arcabouço e técnica para garantir que esse gás estocado fique lá por toda a eternidade. Vejo dois grandes desafios: o regulatório, inclusive a legislação am- biental, e encontrar aquífero disponível para estocar esse CO 2 , que ele fique lá de fato estocado pela eternidade. VC : O CO 2 hoje é um gás que não causa efeitos à saúde, é gás de efeito estufa e não poluente. Quando você es- toca CO 2 , ele fica lá para a eternidade. Uma parte pode se remineralizar depois de determinado tempo. E a expectativa com relação ao novo presidente, Jean Paul Prates, que tem um PL sobre o assunto … VC : Não falei ainda com o presidente, vamos aguardar, mas já vimos que ele tem muito interesse nesse assunto, relator de vá- rios temas relacionados à descarbonização. Talvez seja um novo ciclo para a Pe- trobras na transição energética VC : O plano estratégico vigente já deu um indicativo da Petrobras buscando essa direção. Temos muitas competências, so- mos os maiores produtores de hidrogênio do Brasil, já produzimos energia. Além do CCUS quais as iniciativas da Petrobras em descarbonização? VC : Há um conjunto delas, em efi- ciência energética, projetos em redu- ção de perdas, em redução de meta- no. Temos uma trajetória exitosa em redução de metano – diminuímos à metade a emissão em dez anos. Tam- bém reduzimos atividade de flare (queima de gás). Como é a atuação da Petrobras na OGCI, que reúne as maiores petroleiras do mundo para ações em transição energética? VC : Somos muito ativos na OGCI, par- ticipamos das iniciativas, compartilhamos expertise no grupo de eficiência energéti- ca. Também participamos do grupo pla- net solutions que estuda florestas, man- guezais, efeitos sobre o clima; nós lidera- mos esse grupo. Participamos de vários e não somente de CCUS. n

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