Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 17 A lém do brasileiríssimo eta- nol da cana-de-açúcar e do crescente e promissor pro- duzido a partir do milho no Centro-Oeste, o Brasil está prestes a en- trar em mais uma nova rota produtiva para o biocombustível. A versão da vez é a do etanol de trigo e outros cereais, como centeio, cevada, triticale, sorgo e arroz, opção que já faz parte de proje- tos prestes a sair do papel. A movimentação ocorre no Rio Gran- de do Sul, depois que o governo estadu- al conseguiu aprovar uma lei em 2021 para instituir um programa de estímulo à produção local do biocombustível, o Pró-Etanol, que utiliza uma série de in- centivos para fomentar a cadeia produ- tiva no estado gaúcho, com o aproveita- mento principal de culturas de inverno de cereais, já que a região não é muito adequada para a cana de açúcar. A política de subsídio tem como ba- se a facilitação de acesso dos investido- res ao Fundo Operação Empresa do Rio Grande do Sul (Fundopem), que apoia projetos sem liberação de recursos di- retos, mas por meio do financiamento parcial do ICMS incremental mensal que será devido a partir da operação da uni- dade produtiva. A ferramenta de cré- dito presumido garante tratamento tri- butário privilegiado para aquisição de fornecedores instalados no estado, para máquinas e equipamentos industriais, e para importações do exterior. Segundo estudo sobre esse novo mercado de etanol feito pelo Banco Itaú BBA, publicado no fim de janeiro, a nova rota, além dos subsídios gaú- chos, tem como ponto a favor o fato de a produção de trigo nacional ter cresci- do, “com margens atrativas e tecnolo- gia genética que garantem boas produ- tividades e qualidades industriais na re- gião Centro-Sul”. Para justificar a análise, o banco utili- za dados da Conab, que apontam pro- dução de 9,7 milhões de toneladas do grão em 2022, o que representa aumen- to de 27% frente ao ano anterior. O es- Glauber Silveira
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