Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
18 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 BIOCOMBUSTÍVEIS tudo mostra ainda que a cultura apre- sentou taxa de crescimento nos últimos cinco anos de 11,5%. “Esse aumento da produção e a conjuntura da cadeia trití- cola têm ganhado robustez e aberto no- vos canais de comercialização”, diz o re- latório da área de agro do Itaú BBA. Apesar de o Brasil ser deficitário em trigo e ainda importar 55% do seu con- sumo (2022), a possibilidade aberta com a cadeia do etanol, que deve en- volver demais cereais abundantes no Sul, segundo o banco, tem o potencial de incentivar a produção nacional. Isso não só para atender o mercado local, mas porque muitos produtores impor- tantes na região do Mar Negro foram afetados pela crise na região e abriram espaço no mercado internacional de tri- go, em crescimento, para novos expor- tadores, onde o Brasil se encaixaria. Atenções Mas há também algumas dúvidas so- bre o desempenho desse mercado. Um importante, para o Itaú BBA, é a expo- sição dos novos investidores em etanol de cereais a um mercado volátil como o de energia. Isso seria preocupante em casos de descasamento de preços do etanol, atrelado a variáveis internacio- nais e à política de preços da Petrobras, e do trigo, cujo preço pode subir em choques de oferta. Também há receio com relação ao rápido aumento da oferta de etanol no Brasil, principalmente levando em con- ta o desempenho da rota do etanol de milho, no Centro-Oeste, que nas últi- mas cinco safras cresceu 450%, passan- do de 790 milhões de litros (2018/2019) para 4,3 bilhões (2022/2023), com pro- messa de chegar a 10 bilhões de litros em 2030. Caso tenha sobreoferta, os novos investimentos no Sul podem so- frer com as pressões de cotações e, pa- ra isso, precisariam se precaver com ca- pacidade de tancagem, capital de giro e liquidez, recomenda o banco. Além dessas questões, há outros as- pectos que merecem reflexão, segundo o professor Gonçalo Pereira, do Institu- to de Biologia da Unicamp. Para ele, a primeira é não deixar que a nova cadeia seja muito dependente do trigo, já que o cereal não tem a mesma produtivida- de e competitividade da cana de açúcar e também não é abundante no País co- mo o milho, rota de produção em cres- cimento acelerado. Segundo Pereira, o etanol de milho, que poderia ser comparado à experiên- cia do trigo por também ser uma com- modity de uso alimentar e para ração animal, é um caso de sucesso porque o Brasil tem alta produção, ao contrário do trigo. “Além da superprodução no Centro-Oeste, ainda tem a vantagem de, ao produzir o etanol, o país não ex- porta o milho na forma de grãos, o que seria um atraso, e agrega valor a sua cadeia”, explica. Na avaliação do professor, essa pers- pectiva, porém, muda se a nova cadeia de produção no Rio Grande do Sul se consolidar como de etanol de cereais,
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