Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 29 Marcus D’Elia Marcus D’Elia é sócio diretor na Leggio Consultoria, responsável pelo segmento de Petróleo&Gás Escreve na Brasil Energia a cada duas edições. A importação de diesel S10 atualmente é estrutural. Em função da crise energética ocorrida com o início da Guerra da Ucrânia, o risco de desabastecimento se tornou tema de discussão no Brasil em 2022. Medidas foram ado- tadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e pelo Ministério de Minas e Ener- gia para mitigar o impacto da redução nos estoques mun- diais de diesel, associada à limitação da exportação criada por países produtores e às sanções impostas atualmente pela União Europeia à produção de derivados na Rússia.A utilização dos estoques locais associada à importação, até o momento, tem evitado a falta do produto em pontos on- de as cadeias logísticas são vulneráveis no país. Após a Pandemia de Covid-19 em 2021, foi apre- sentado, no artigo “Impactos Permanentes da Pande- mia sobre o Mercado Internacional de Petróleo e Com- bustíveis” ( publicado em Cenários Petróleo da Brasil Energia ), o conceito de resiliência aplicada ao suprimento de energia. “Do ponto de vista de garantia do suprimento de energia aos consumidores, as cadeias de pe- tróleo e combustíveis possuem diversas vulne- rabilidades. Em um novo mercado de energia, esta será uma variável a ser considerada no pla- nejamento do suprimento pelos clientes e no planejamento da matriz energética dos países. Os frequentes eventos disruptivos (desastres na- turais, ataques digitais, conflitos armados, aci- dentes), adicionados ao longo período da Pan- demia, reforçaram a criticidade da continuidade do suprimento de energia nestas situações. A busca por fontes de energia menos vulneráveis será guiada por estratégias de Supply Chain, que há décadas também são utilizadas para ou- tros insumos de produção. A pouca familiarida- de desta visão aplicada ao mercado de energia é um dos principais impactos que a pandemia trará para o setor. Apresentar o grau de resiliên- cia do suprimento de produto, neste caso ener- gia, passará a ser um aspecto fundamental para manutenção dos clientes.” Neste cenário de importação estrutural de diesel S10 e aplicando-se o conceito de resiliência, pode-se discutir quais as medidas a serem adotadas no Brasil em diferentes horizontes de tempo, para que se possa efetivamente aumentar o grau de segurança no supri- mento deste produto. Curto prazo Entre as ações que foram implantadas em 2022 estão: o aumento da utilização da capacidade nas re- finarias produtoras de S10; o monitoramento de es- toques do derivado; e o acompanhamento e análise contínua, pela ANP, da oferta de produção, da oferta de importação e da estimativa de consumo do com- bustível no país. A agência instituiu a obrigatorieda- de para os agentes de mercado informarem os volu- mes internalizados, os volumes contratados no exte- rior com destino ao Brasil e quaisquer fatos relevantes que possam impactar negativamente a produção ou importação do derivado. Outra medida essencial é estabelecer cadeias alter- nativas de suprimento para o diesel S10, uma vez que a importação se concentra nos Estados Unidos (aproxima- damente 60% do volume). Os candidatos para este su- primento alternativo estariam no Golfo Pérsico e Índia. Esta ação deveria ser proativa por parte de importadores, uma vez que exportadores como China e Índia adotaram medidas para limitação dos volumes exportados e novas sanções sobre o diesel de origem russa estão sendo im- plementadas na Europa desde janeiro de 2023. COMO GARANTIR A SEGURANÇA ENERGÉTICA NO CICLO DIESEL NO BRASIL
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=