Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
30 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 Marcus D’Elia é sócio diretor na Leggio Consultoria, responsável pelo segmento de Petróleo&Gás Escreve na Brasil Energia a cada duas edições. Marcus D’Elia O estabelecimento destas cadeias alternativas re- quer a possibilidade de contratação de volumes e fre- tes regulares a partir destas novas origens. Simultane- amente, deve ser feita a adequação de estoques ope- racionais para suprir a descontinuidade causada pelo aumento no lead time de transporte do produto desde a nova origem até o país. Médio prazo Para que se obtenha resultados no médio prazo pa- ra a mitigação do risco de desabastecimento, é preciso melhorar a resiliência das cadeias logísticas de forma sistemática. Este é um trabalho que abrange a constru- ção de cenários com situações de potencial ruptura do suprimento e o planejamento de soluções para sua con- tinuidade. O estudo de resiliência de cadeias logísticas se dá em quatro níveis: 1ª Etapa – Monitoramento do nível de servi- ço nos pontos de venda Neste primeiro nível de análise busca-se identificar os principais agentes pertencentes a cada cadeia logís- tica para coleta de informações e identificação de risco de ruptura. Ou seja, estabelecer meios para monitora- mento do nível de serviço em Revendas, TRRs e grandes consumidores nas cadeias logísticas de distribuição du- rante os momentos de crise. 2ª Etapa – Diagnóstico da Potencial Causa de Ruptura O diagnóstico se inicia com a identificação das ca- deias logísticas vulneráveis à interrupção do fluxo logís- tico que possam causar ruptura no suprimento de com- bustíveis – ou seja, a impossibilidade de seguir com o fluxo de produto. Num segundo momento, é necessário o levantamento histórico dos eventos que levaram à in- terrupção de fluxos logísticos, assim como suas causas para que se possa aplicar métodos de análise de risco que irão priorizar as localizações segundo seu impacto na cadeia logística de distribuição. 3ª Etapa – Soluções para a Continuidade do Suprimento Avaliar as soluções alternativas para suprimento das cadeias de distribuição, com base nos sete prin- cipais tipos de estratégia para aumento da resiliên- cia: aumento de capacidade, suprimento alternativo, aumento da velocidade de resposta da cadeia, au- mento de estoques, aumento da flexibilidade na ca- deia (produção, transporte, informação), aumento de eficiência e agregação da demanda para reduzir in- certeza. Nesta etapa se avalia a aplicação de cada estratégia de acordo com as características de ca- da uma das nove cadeias de distribuição (Fig 1). Por exemplo, cadeias que têm rotas de acesso limitadas tendem a utilizar estratégias baseadas em aumento de capacidade ou velocidade de resposta em detri- mento a estratégias de suprimento alternativo. 4ª Etapa – Aumento da Resiliência das Ca- deias Logísticas Nesta última etapa, o objetivo é identificar os tipos de ruptura possíveis em cada cadeia de distribuição. A partir daí, pode-se aplicar as diferentes estratégias pa- ra aumento da resiliência e elaborar planos de contin- gência que possam garantir a continuidade do forneci- mento em cada ponto da cadeia – como a criação de rotas alternativas ao ponto de ruptura ou modais alter- nativos de transporte. A preparação antecipada destes Planos de Contingência para cada uma das cadeias de distribuição sob risco garante a velocidade na gestão de crise e permite que recursos necessários para a im- plementação das estratégias já tenham sido preparados e disponibilizados antecipadamente. Atuar desta forma preventiva no suprimento de diesel S10, oumesmo outros combustíveis, poderá garantir que o país es- teja preparado para potenciais novas crises, num momento em que a transição energética está apenas se iniciando. Para ler a Segunda Parte deste artigo, acesse o site Brasil Energia aqui.
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