Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
42 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 EMPRESAS to Munhoz da Rocha Neto (Foz do Areia, 1.676 MW), da Copel, cujo leilão de pri- vatização ocorrerá ainda este ano. A usina está no radar da Engie, concessionária de outras duas UHEs na cascata do rio Igua- çu, onde ela está localizada. “A concen- tração não é boa, mas é preciso saber o que eles irão fazer”, resume Landau. Para o engenheiro Roberto d’Araújo, diretor do Instituto Ilumina e ex-conselheiro de Furnas, o cresci- mento da Eletrobras privada, mesmo que pequeno, representa “um aumen- to de poder conflitante em um merca- do que se diz competitivo”, uma vez que esse crescimento se dá em uma empresa privada, “sem nenhuma obri- gação pública”. D’Araújo, que como todo o Ilumina se posicionou contra a privatização da Eletrobras, destaca que a sinalização de preços no mercado livre está no limite mínimo, não só pela hidrologia momen- taneamente favorável e pela grande en- trada de eólicas e solares, mas também pela virtual estagnação da demanda. Na sua avaliação, isso representa outro complicador para a entrada de um agente tão maior do que os de- mais. Por outro lado, ele é um dos que veem risco de pressões altistas que po- deriam advir de eventual incorporação aos preços dos atributos das hídricas hoje não precificados. A reportagem procurou ouvir concor- rentes da Eletrobras, mas eles não se pro- nunciaram. O que foi possível constatar foi que, apesar de alertas, o quadro atu- al não é considerado preocupante e a ex- pectativa é de que tudo siga enquadrado nos padrões regulatórios e de mercado. Em teleconferência de apresentação dos resultados de 2022 da empresa a ana- listas do mercado, no dia 14 de março, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, confirmou que seguir crescendo em energias renováveis é um dos objetivos es- tratégicos da empresa. Ele citou as aquisi- ções feitas a partir da compra de Santo An- tônio como exemplos desse objetivo, além da expansão de 30 para 42 MW da UHE Coruá-Una, no Pará. Sobre a questão refe- rente à formação de preços, a empresa in- formou que não iria se manifestar. n Roberto Brandão, do Gesel/UFRJ: risco baixo de problema concorrencial no Brasil Elena Landau, ex-diretora de desestatização do BNDES: é viável que a Eletrobras siga crescendo Roberto d’Araújo, diretor do Ilumina: aumento de poder conflitante em um mercado competitivo
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