Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
56 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 GÁS a retomada das conversões de veículos pesados e ampliação do uso do GNV. No entanto, o país ainda aproveita pouco o potencial do gás”, disse Mendonça. A estratégia do Rio O Rio de Janeiro tem o principal mer- cado de GNV do país: metade da frota licenciada está no estado e o consumo do ano passado chegou a 3,3 milhões de m³/dia. No total, são 1,6 milhões de veículos de passeio e utilitários que dis- põem de cerca de 652 postos de GNV para abastecer. Os dados são, respecti- vamente, do Detran, referentes a feve- reiro de 2023; e da Naturgy, referentes a dezembro de 2022. O crescimento do setor é fruto do pla- no de gás, implementado pela Secreta- ria de Estado de Energia, Indústria Na- val e do Petróleo em parceria com as en- tão Ceg e Ceg Rio (atual Naturgy), entre 1999 e início dos anos 2000. De acordo com Victer, a iniciativa começou quan- do o insumo estava presente somente na capital fluminense e em um município. O plano reduziu de 18% para 12% o ICMS do GNV e diminuiu em 3% o Im- posto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), que cobria o custo da conversão. Em sete anos de projeto, o estado passou de 5 mil veículos movi- dos a gás para 540 mil, e de 18 postos de GNV para 530. Para Mendonça, o desconto no im- posto acaba por aumentar a arrecada- ção e gera investimento na cadeia de conversão. “A medida também é be- néfica para o estado, pois movimenta a economia. Além de aumentar a empre- gabilidade, pois gera mão-de-obra es- pecializada”, analisou. Além dos ganhos ambientais, o GNV serviu para interiorizar o gás. Victer acres- centou que a implementação de postos e as termelétricas serviram como ânco- ra para a expansão no mercado de gás, porque justificavam a construção de ga- sodutos no interior do estado. Com is- so, 26 municípios passaram a ter acesso a gás natural em cerca de oito anos. O secretário estadual de Energia e Economia do Mar do Rio de Janeiro (Se- enemar), Hugo Leal, reconheceu que a lógica do GNV sempre foi uma caracte- rística carioca, mas ainda há obstácu- los para expandir o setor. “Nosso gran- de desafio atual é o processamento do gás. De onde vai chegar e como será feita a distribuição? Se isso não for tra- balhado, o estado pode perder outra oportunidade”, enfatizou. Atualmente, o Rio de Janeiro tem dois projetos em construção que vão es- timular a ampliação da oferta de gás: o Polo Gaslub, em Itaboraí, e a usina ter- melétrica Marlim Azul, em Macaé, que servirão como âncoras para interioriza- ção e expansão da rede. Ambos os pro- jetos vão usar gás natural do pré-sal. No entanto, serão necessários mais gasodutos para escoar mais volumes. Segundo ele, a Naturgy precisa mani- festar interesse em novos investimentos na ampliação da rede até 2026 – ano da renovação da concessão.
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