Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
86 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 DISTRIBUIÇÃO Ronaldo Arregalo, diretor comercial da empresa para a América do Sul. Ele ex- plica que apesar de a empresa realizar serviços de testes pontuais para avaliar a infraestrutura de cabos enterrados, há uma aposta na adoção de sistemas que fazem o monitoramento 24×7 no Brasil. “Normalmente os testes são feitos se- mestralmente. Quando se detectam indí- cios de degradação, antecipa-se a nova inspeção para três meses ou mesmo pa- ra um mês”, explica. “O problema é que existem falhas que acontecem do dia pa- ra a noite e que não são capturadas nes- se intervalo medido”, complementa. Na avaliação de Arregalo, a mudança deve ser cultural e as concessionárias precisam entender o monitoramento usando fibra óptica como um recurso de gestão de ati- vos, porque a inspeção cobre não apenas os cabos isolados, mas equipamentos co- mo transformadores, entre outros. O especialista prefere não falar de ampliação de vida útil média com a ado- ção de fibra óptica para monitorar redes subterrâneas, mas lembra que um siste- ma como esse vai pelo menos garantir que a vida útil especificada seja atendi- da. E há uma questão importante: de acordo com ele, a maioria das conces- sionárias não realiza testes periódicos em sua rede subterrânea. “Algumas simplesmente enterram os cabos e eles operam anos sem ninguém saber qual é a condição do ativo. E aí, quando há al- gum problema, ele é fatal e com perdas financeiras e falta de disponibilidade da rede”, finaliza. n Israelense IEC usa OPGW para gestão de ativos de transmissão A concessionária israelense IEC também adotou a fibra óptica para monitorar sua re- de. A diferença é que se trata de uma infra- estrutura aérea de transmissão e as fibras, nesse caso, já existem e estão instaladas nos cabos OPGW, usados como para-raios e como meio de transporte de dados. De acordo com a Prisma Photonics, desenvol- vedora da tecnologia, o recurso seria o pri- meiro sistema a monitorar toda a rede elé- trica aérea usando sensores de fibra óptica. Ainda de acordo com a empresa, a tec- nologia adotada identifica eventos de segu- rança, como os danos infligidos e a possível escalada em torres de energia, além da de- tecção de falhas elétricas, curtos-circuitos, descargas parciais e alertas sobre condições climáticas extremas como ventos fortes. A incidência de raios perto das linhas de ener- gia é outro evento possível de ser monitora- do remotamente em tempo real. A tecno- logia ainda protegeria contra interferências físicas na infraestrutura de comunicação. Outro recurso do uso da fibra óptica dis- tribuída nos cabos OPGW é a detecção de energia acústica e vibrações geradas em tor- no das torres e das linhas de transmissão. Es- sas atividades podem ser causadas por even- tos como arco elétrico causado por quebra de isolamento, eventos extremos ou mesmo sabotagem ou vandalismo. Nesse último ca- so, a tecnologia pode ser um recurso interes- sante frente aos recentes ataques à infraes- trutura de transmissão no Brasil.
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